E nada diz ao leitor

Quis regar a vida

Mas só a regrou

Tão pouco fez

Tão pouco gerou

A casa de palha,

De tão pobre, voou

E tu que não tinha abrigo

Sozinho ficou.

O escuro não tinha resposta

Sobre “por que a luz apagou?”

O teu teto se desfez

Sua vida estagnou

Tudo é confuso porque

Aquele jovem filosofou

Perdeu-se na mata

As ideias velhas, pois abortou

Redondilhas não quer mais

Isso ele largou

E cantos de contrários

Ele pediu, e Deus abençoou.

Vai que com os passos largos

O silêncio ele abocanhou

E se o que cresceu

É fruto do que regou

Medo teria dona Zá

Que sem dó nem piedade, desconfiou

Que a bondade de seu Inácio

Em rosas espinhentas desabrochou

Aquela nova casa de palha enfim se desfez

Refazer a vida ele jurou

Tua nova vida poderia ser bela

E dona Zá o acalentou

Teus medos de vermes imundos voltaram

E ele se acovardou

Como rir poderia ao nascer

Se erros tantos acumulou?

Teus poros eram frutos

Que seu Inácio aumentou

E se tu leu isso tudo

E nada para ti, tirou

Tempos são perdidos

E nada devolvidos

Ele era eu, que ouvia

Tantos passos, poderia

E rimas desconcertadas cria

E nada diz ao leitor.

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Escrito por

Estudante de Jornalismo e brasiliense. Apaixonada por cinema, literatura, música, culinária e beleza. Com família paraense, das raízes indígenas, se criou em Brasília onde pode descobrir mais sobre o mundo e se apaixonou pela profissão que escolheu. Criou o Diário em 2014, quando decidiu manter vivas as poesias que mantinha em cadernos por anos.

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