O sonho do Tritão de Atlântica

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Corridas subaquáticas que desviavam do foco principal. Medos de mortes eram o peso daquele tritão. Talvez a beleza do mar fosse pouca para um coração cheio de dor. Doenças são como coisas presas dentro de si que não sabem como sair e deixam-se no interior de algum órgão. Havia tanta água ao redor daquele pobre homem metade peixe que não cabia mais suas lágrimas e a enorme pedra na qual ele gostava de sentar já não era tão sua, não mais. As damas que tomaram posse de sua pequena ilha em forma de rocha viviam a pentear os cabelos como se todo o resto fosse o mínimo. Não tinha mais um lugar seguro para olhar sua aurora boreal da forma como gostava. Não podia mais espiar as estrelas que dançavam como bailarinas entre alguns planetas que lhe eram visíveis. Não queria aceitar que seus momentos de alegria estivesse no fim. Era dor demais! E eram poucas as lágrimas. Dentro dele não havia nem sequer espaço para se alegrar… nem uma paixonite aguda poderia lhe roubar um sorriso bobo e sincero. Nem olhos esverdeados, acastanhados, negros ou avermelhados lhe tiravam a dor e o sofrimento que era perder o céu tão lindo e tão magnífico que tinha todo para si. “Poucos sabem o que há lá em cima!” Pensava. “Vivemos no fundo do mar em meio a tantos peixes belíssimos, tantos diversos animais, cada um incrível a sua maneira. Mas minha Atlântica não se compara a esse céu! Eu queria pertencer a ele!”
Seu pedido foi tão aclamado que alguém ouviu! E de um pobre tritão ele passou a ser águia. Tinha o céu todo para si, agora vivia no alto das montanhas… no lugar mais próximo que tinha do seu céu. E eram como dois amantes, um feito para o outro e vivendo para o outro como se tudo finalmente se encaixasse e fizesse sentido. Era um céu que o seguia onde quer que ele fosse… enquanto Atlântica ficou no fundo, com um tritão triste a menos. Porém, uma águia a mais refletida em seu longo espelho.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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