Desabafo sobre a Copa das Copas por: uma jornalista informal

Há muitos textos circulando online sobre a derrota brasileira e a crítica em cima dos brasileiros é enorme e, no meu ponto de vista, exagerada. Explico-me.: A única seleção de futebol que disputou TODAS as copas do mundo foi a seleção brasileira, e convenhamos que quem muito ganha se acostuma e não quer largar o osso, certo? Acostumados a ter apenas o futebol como sonho, essa nação de vinte milhões ainda tinha esperanças de que aos trinta minutos do segundo tempo ainda tivesse maneira de virar o jogo. Se você se pergunta o porquê, respondo com um dos ditados populares mais populares: Brasileiro não desiste nunca. Sabemos que antes mesmo dessa festa futebolística começar, haviam pessoas contra e manifestantes que foram calados nos primeiros jogos. Não tinha mais manifestantes? Errado. Eles estavam por perto a todo momento, mas estavam calados porque no Brasil só ganha quem manda, e nesse caso sabemos ser o governo. Muitos choraram esta tarde, muitos se lamentaram, outros gargalharam e disseram “eu já sabia!” Mas não sabiam nada. Posso não entender cem por cento de futebol, mas não via como a nossa seleção amarelinha conseguiria ir tão longe. Um time não se faz com uma pessoa só, nem com apenas três. Que no caso, para mim, foram Thiago Silva, David Luiz e Neymar. Concordam? É só relembrar que apenas um estava em campo e me lembro de sentir o desespero dele após o quarto gol. Vergonha? Sim, é claro! O “país do futebol” perder sua segunda copa, seu segundo título em casa? Dói! É devastador. E o pior é acordar desse sonho percebendo que realmente não temos nada. Não temos nada que dê orgulho. Brasileiro gosta de ser bom, gosta de ser notado, porque já sofre humilhações demais onde quer que vá! Pergunte a uma mulher que foi à Europa se ela foi bem tratada. Pode até ter sido, mas ela não se sentiu bem porque os homens ficam olhando muito para partes específicas de seu corpo. Falo por experiência própria. Brasileiro é “bonzinho” até que toquem sua ferida. Ferida que é aberta já ao nascer no corredor de um hospital sujo e sem água potável. Sabemos que isso existe. A vergonha começa quando não sabemos falar nenhuma língua, mas damos um jeito da comunicação ser estabelecia. Me responda que outro habitante de país tenta falar português? Não somos obrigados a deixar de falar nossa língua para arriscar um inglês que termina no Hello. Já que a grande maioria nem sabe o que Hello quer dizer. Por que? Lembra do que está em falta aqui? A educação, pois é. Quando o brasileiro perde a única coisa que ainda tinha, -não se finja de tonto!- ele vai querer se manifestar de alguma forma. Batendo em algum gringo, xingando, quebrando tudo! Infelizmente é essa a nossa forma de se expressar. Já que ninguém nos ouve, vamos chamar a atenção de forma negativa, porque só assim alguém percebe que estamos falando. É errado. Óbvio que é errado. Mas ninguém se contenta com lágrimas. Já vi professores, médicos, pessoas doentes, crianças, chocharem e nada lhes acontecer de bom. Mas vi manifestações meio pacíficas que resultaram em novas UPA’s. Se você acha que o brasileiro vai se calar após essa derrota, espera outubro. As ruas terão novos quadros, novos gritos… “eu avisei que copa não traria hospital”… E se os candidatos ao governo do país não acordarem poderemos ter facilmente um período sem governantes, porque ninguém me obriga a votar em quem não acho que exercerá bem a defensoria dos meus direitos.  Estamos perto de mais um grande passo, podemos escrever nossa história. Somos os jovens que só ficam no Facebook, mas também somos os jovens que estudam para passar em medicina para tentar mudar alguma coisa, também somos os jovens que querem ser professores para tentar mudar alguma vida, também somos os jovens que observam calados mas que quer lutar pelos seus direitos. Que a copa termine, enfim. Porque ela foi mais uma “coisa boa” que nos fez acordar e dizer CHEGA DE PÃO E CIRCO.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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