Vida

Havia silêncio, calma, paz interior. Uma a uma as folhas iam se desprendendo do galho, dizendo adeus e caindo contentes. Tinham feito seu trabalho! Nasciam novas folhas, como brotinhos, aspirando serem grandes folhas. A raíz sentia-se alegre, mais vida conseguiu fazer nascer. A madeira sorria porque estava ficando mais velha e mais experiente. Lembrava de quando ainda era um caule fino, e sabia que cada folha que havia nascido tinha cumprido seu papel fielmente. O tronco era vistoso, forte, alegre. Carregava marcas de casais apaixonados, corações com iniciais e feridas de pessoas maldosas que apenas queriam ver seu sangue branco sair. Mas era feliz. Amava a vida e agradecia por cada folha, cada chuva, cada ferida feita à canivete. Até que viu um novo homem chegar perto. Carregava algo nas mãos e pensou conhecê-lo de algum dos cem anos que vivera. Sorriu pensando que era mais um que iria gravar juras de amor na sua pele amadeirada, deixou o vento fazer suas folhas dançarem como o mais belo balé russo, sua raíz catava gotas de água no solo para que pudesse dar tempo de nascer mais uma folhinha que estava querendo sorrir. Mas foram atraídos a perder a coragem ao ouvir um som alto e forte. O homem carregava uma serra elétrica. Era o adeus à vida. A árvore disse adeus primeiramente a sua raíz, que ainda tinha esperanças de levar água à folha. Depois disse adeus aos galhos e folhas. E o tronco segui sozinho. Disse adeus, mais tarde, a suas marcas muito amadas e foi transformado em objeto decorativo. Nunca fora tão humilhado!

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