Sabe a dor nos rins? Aquela que abafa a sua respiração e tira sua força para gritar? Senti uma mais forte. Não tinha como gritar, o ar não entrava nos meus pulmões, a dor era tanta que não pude racionalizar. Ele estava no meu colo. Desacordado, ensanguentado, morto. Tão frio quanto o gelo, só que não derretia. Chorava como se as lágrimas fossem a cura para tê-lo de volta, sem perceber que desejava isso. Quando o peito abriu e o ar entrou, gritei. Gritei com toda a voz que guardei durante anos. Explodi meu peito em dor. Nada fazia sentido, não mais. Era uma parte de mim que ia embora. Não consegui, durante anos, perdoar seu abandono… ele se vendeu à rua. Vendeu sua alma às drogas. Abusava da liberdade, matava, roubava, sequestrava. Tirava a felicidade de muitos para se enganar sobre a sua. E hoje, morto. Sem vida, sem esperança. E eu que tanto fiz para salvá-lo. Me leiloei e o desespero fez seu lance mais alto. O peito era pequeno demais para tanto. E de tanto me despedia, ao vê-lo partir. Só eu sei como daria a minha vida para vê-lo sorrir uma última vez. Não há dor maior que uma mãe enterrar um filho!

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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