Amor Bandido – 2º Capítulo

Querido diário,
Acredito que podemos sentir quando algo começa a ficar sério, ou talvez quando algo pode se tornar sério. Mas se for sobre relacionamentos a única coisa que posso dizer é que nada é o que parece.
As conversas com Marcos se tornaram cada dia mais presentes, longas e divertidas. Eu queria um amigo da mesma forma que queria um amor. Talvez meu pior defeito seja a vontade enorme de viver um conto de fadas, uma comédia romântica e um soneto com a mesma pessoa… sempre quis sentir aquilo que falam sobre amor à primeira vista e etc.
Prevendo uma paixão, eu costumava dizer sempre “não se apaixone por mim”, e coisas do tipo. Mas eram frases feitas dos meus filmes preferidos. Eram partes específicas de tudo o que eu queria que acontecesse.
– Você vai perceber como vou ser necessário na sua vida.
– Aposto que você vai se apaixonar por mim, não deixe isso acontecer.
Mas havia algo muito estranho. Quando você se apaixona por alguém, normalmente, quer passar a maior parte do tempo com essa pessoa. Quer conversar e saber de tudo sobre ela e comparar seus gostos… tentar saber o máximo que pode. E o tempo se torna curto quando você fala com quem gosta.
Só que Marcos não falava comigo todo dia. E na maioria dos dias ele me enviava uma música, ou algum trecho. E quando as conversas se tornaram frequentes seguia uma rotina de no mínimo três dias sem trocar um oi.
Comecei a sentir que talvez eu estivesse entrando em desespero. A vontade de que desse certo com ele era tão grande que me deixava cegar pelas questões ruins. Minhas amigas torciam por mim, mas ao mesmo tempo sempre diziam que não daria certo e que seria loucura.
E eram nessas horas em que meu primeiro namorado sempre aparecia e enviava mensagens de quem estava com saudade ou que desse a entender isso. Não que eu o odiasse, mas não gosto (e não gosto mesmo, de verdade!) de ficar voltando em histórias antigas. Quando termino um laço aquilo termina e não há Deus que me faça retomar. A partir do momento em que foi posto um ponto final eu passo a lidar com outra chance de tentar, mas com outras pessoas. Me desligo da vida alheia e vivo como se nunca tivesse conhecido tal pessoa. Porque me apego muito e não sei dizer adeus. Sempre revivo na mente e me pergunto o que teria acontecido se tivesse insistido. Nunca me arrependo de ter seguido minha vida.
Bom, certo dia, depois de três meses fingindo não ligar, Marcos começou a dar sinais de que queria algo sério comigo. Sempre falava pouco, mas era um pouco que dizia muito. Embora ele não tenha me contado naquele momento, eu sentia que tivera suas desilusões e que ainda sofria por elas. Tenho plena certeza que essa ideia utópica me deixou pensativa e desejosa de uma relação com ele.
Era possível que fossemos o casal perfeito. Onde ambos se entendem e lutam para fazer o outro feliz, porque era tudo o que sempre acreditei. Mas não era bem assim.
Enquanto, de minha parte, eu era transparente, ele era nebuloso. Misterioso demais. Reservado demais. Não ria e nem contava piadas. Sério e calado. Mas eu queria tanto que desse certo que não ligava. Fingia que estava tudo bem e seguia os dias como se fossem o dia perfeito para lançar lhe o convite de vir até minha cidade para nos conhecermos, mas a oportunidade demorou muito a ser criada.
Queria ver a atitude partir dele e queria muito mais que ele também quisesse tudo o que eu estava sonhando acordada. Mas era tão cômodo que me incomodava, mesmo que não fosse normal admitir, sofria com a decepção que nem sabia se viria a ocorrer.
Os dias passavam e eu esperava pelos dias da semana em que pudéssemos conversar e nos conhecer um pouco mais, só que ao mesmo tempo estava sofrendo com alguns problemas em casa… problemas grandes e cabeludos dos quais não pretendo citar já que envolvem outras pessoas e isso seria bem chato de ser descrito. Mas eu já clamava a Deus (ao cosmos, aos astros a tudo que é ser superior) para que o tempo passasse o mais rápido possível e foi quando percebi que meu tempo de paquera com Marcos era o que eu tinha para ocupar a mente enquanto não ficava preocupada, nervosa e estressada.
O fato importante é que meu aniversário se aproximava e eu queria muito poder comemorar a vida em um ano que me foi tão dolorido e forte… foi quando surgiu o convite.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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