Quando quebrei a minha regra pessoal!

Cara loucura,

Deixo totalmente livre para que me julgue, me xingue e esperneie sobre como posso ter sido estúpida alguma hora, mas peço que mesmo na sua forma normal… tente ver as coisas abstratas de uma forma mais humilde. Afinal, nós nunca entendemos o que é abstrato além de dar este nome a elas. E me refiro principalmente aos sentimentos humanos.

Tudo começou com uma briga na minha família… briga essa que já leva seus quase vinte anos e sempre de forma encubada. Atritos sempre ocorrem e nas famílias (me refiro a graus de parentesco e não a progenitores e seus genitores) ficam mais comum e rotineiros. Fato é que há uma fagulha acesa em partes na minha família e eu, como pessoa sincera, transparente e desbocada, me conheci em minha forma mais insana de [insira aqui um adjetivo que traduza “onça louca”, “defensora dos direitos próprios”, “a que vai pra cima com a faca para defender seu ninho” ou similares]. Fagulha esta que desencadeou numa série de palavras não ditas (porém pensadas) dentro dessa família a qual faço parte.

Foram expostos pensamentos meus e do meu primo sobre como nossos avós estão ficando idosos e como ninguém mais (e me refiro aos filhos deles) tem tempo para cuidar deles deixando-os meio que… sozinhos. Traduzindo: eles precisam se virar para cuidar e organizar de toda uma casa E-NOR-ME! sem ajuda. E como não temos condições de pagar alguém para que cuide dessa casa a discussão entrou num nível desnecessário levando opiniões contrárias a vender essa casa e comprar um apartamento em tal cidade ou comprar uma casa menor e mais perto da igreja que eles tanto vão pelo menos três vezes na semana.

Na mesma época a empresa do meu pai faliu. Querido diário, se você acha que pessoas normais se deixam abater por algo assim, logo logo me entenderá. Meu pai não tem parentes na cidade em que vivemos, logo saiu pedindo ajuda a Deus e o mundo para conseguir segurar as inúmeras dívidas que surgiram quando o banco (após seis meses de enrolação) decidiu não liberar o bendito empréstimo que salvaria nossas vidas. Vários amigos se propuseram a ajudar em várias quantias, muitos disseram que não precisavam com urgência da devolução e se mostraram como fiéis amigos.

Mas quando o assunto é dinheiro as pessoas se transformam!

Enquanto em casa havia desordem por uma briga entre tios, primos e eu, no meio em que convivemos apareceram comentários sobre essa falência da empresa (que sempre ajudou MUITA gente desse mesmo meio) e começaram as humilhações. Não conto essa história, diário, para que tenha pena de mim, ou para nos tornar vítimas inconsoláveis de uma tragédia, mas para que meu surto tenha embasamento mais à frente.

Comentários, disse-não-disse, julgamentos, ameaças e solidão desmoronaram minha mente. De repente já não enxergava mais razão para suportar tantos problemas. Ouvi de parentes que eu era louca, psicopata… que iriam até minha casa com uma faca… ameaças! Pessoas surtaram com muita força nessa época por situações totalmente diferentes e acabaram descontando nas mais próximas. Não culpo ninguém por isso. Ao mesmo tempo se tornava impossível a rotina do ciclo social em que minha família (eu e meus pais) costumamos frequentar.

Um dia falei em alta voz da minha revolta, da raiva e da dor que passava. Eu, que sempre fora vista como madura, de repente não sabia o que fazer ou como agir. Estava perdida. Me lembro de uma noite que não conseguia dormir e me entregava a versos muito sombrios, gritei com Deus. Sempre fui muito ligada a crenças e a fé, mas nesse dia até isto estava abalado. Gritava “por que?” “por que conosco?” “para que?” “cadê você que não vê isso”. Em uma dessas noites, em que havia discussões familiares gritei na sala e corri para o quarto. Me tranquei. Chorava descontroladamente. Brigava com Deus e pedia para que o tempo passasse depressa. Para que em alguma hora pudesse ter coragem de sorrir.

Meus pais abriram a porta com uma chave de emergência e me abraçaram. Em meio a lágrimas desesperadas pedia para ir embora. Outro estado, outro país. Ainda hoje choro lembrando dessa noite… noite em que tudo o que sempre me fortalecia desabara. Talvez, para ilustrar, como no atentado ao 11 de setembro… aviões comuns que foram obrigados a mudar a sua rota e a colidir com algo que não tinha nada a ver com o espaço comum a que um avião deveria ocupar.

Em um desses dias meu celular tocou… era ele! Aquele rapaz que me fez descobrir o amor e que já não estava mais sendo amado por mim me procurou. Eu olhei a mensagem e chorei mais ainda. “Você está bem? Depois do que disse aquele dia fiquei preocupado. Se quiser conversar com alguém saiba que mesmo separados podemos ser amigos. Dividimos tanta coisa que seria injusto perder esse laço de amizade por um término de namoro. Estou aqui se precisar.”

Eu já o havia superado. Ele já não tinha mais efeito emotivo amoroso sobre mim. Mesmo com alguns amigos não tive alguém para conversar sobre esses tantos problemas. Os pensamentos de suicídio eram gigantes. Já não podia continuar a tão sonhada faculdade, não podia fazer os tantos cursos que planejara… nem comprar o sonhado carro, nada! E tiveram dias em que só não passamos fome porque apareciam alimentos de vários lugares. Alguns amigos tocados com a situação mandavam. Talvez fossem a resposta que eu tanto pedia quando brigava com Deus.

Aceitei essa amizade e conversamos dois dias seguidos. Aquele turbilhão de sentimentos conflitantes enfim amenizou. Quando pisquei o olho já era dezembro. Um novo amor aparecia para me fazer esquecer dos problemas e aquela amizade se fortalecia com conselhos sobre como devemos acreditar até o último minuto que tudo dará certo.

O ano virou e eu chorei. Era a esperança dizendo olá! Esperança essa que me fez sorrir novamente. Passei dois dias com um irmão de coração me mimando e me dando suporte. O então “novo amor” me fez parar de pensar nos problemas que estava passando e me fez bem. Mas então descobri algumas coisas sobre ele que não me agradaram e o namoro nem começou. Logo após ele me apareceu outro rapaz. Esse chegou a ser o maior canalha, posso dizer… talvez eu esteja sendo muito dura por ele sempre ter falado das suas dificuldades em relacionamentos, mas não aceitei muito bem o fato dele ter me usado e jogado fora. Um recado a você, diário, nunca acredite que alguém vai ser diferente com você! Porque ele havia feito com outras quatro moças o mesmo que fez comigo. Mas ao mesmo tempo, me fez acreditar no discurso do “não sou o que falam”, “pessoas inventam muitas coisas sem saber”, “sei quem sou e não sou isso”. O resultado desse relacionamento foi um surto.

Desejei a morte!

E não estou sendo dramática… me tranquei no quarto, um dia, e chorava. Na mente os pensamentos de “como pude acreditar em alguém assim” e “por que ta tudo dando errado?”. O resultado você já sabe, diário… é o conto Um carinho, um amigo e algo mais. Sempre digo que um escritor tem a licença para usar a realidade e difundir com suas ideias. Mas no momento em que o sangue quase pulou dos meus braços, o jovem a quem sempre amei reapareceu.

Sem intenção de ser para mim como um amante, sem intenção de se aproveitar da situação em que eu estava… eu pedi socorro e ele foi até mim. Simples. Um amigo. Éramos amigos e só. Mas como ex namorados ficou bem comum a pergunta “vocês voltaram?”. Sobre isso também tem matéria aqui… é Eu não voltei com meu ex, somos melhores amigos! Não tinha intenção de voltar… até porque como amigos viramos confidentes até de pecados. As brincadeiras eram como entre dois irmãos (talvez isso esclareça a revolta na matéria) e eu me irritava muito com a questão de voltar ou não. “É bem chato ouvir a clássica pergunta “Vocês voltaram?”. Olha bem, não seria um problema se isso acontecesse, mas somos só amigos mesmo.”

E como não é problema nenhum assumir isso, estou assumindo agora. Não que eu deva dar satisfação da minha vida a alguém, mas em forma de agradecimento a ele que sempre foi um fiel amigo e me ajudou quando mais precisei (gente, eu queria morrer! vocês tem noção do que é um amigo te ajudar a não fazer besteira?).

Minha lei era: NUNCA VOLTAR COM UM EX. Porque sempre da errado, nas mesmas coisas! Sempre tinha dado errado comigo, pelo menos. E amigas!!! Estou postando mais para que vocês possam me entender. Até porque era uma lei a qual sempre discutíamos.

Ainda é válido, na minha opinião, tentar com a pessoa certa. Hoje é difícil ver minha vida longe do meu amor… Não entenda, diário, como uma declaração melosa, uma necessidade sexuada kkk. Nosso laço de amizade se fortaleceu a ponto de não brigarmos com frequência. Nossa sinceridade como amigos nos abriu a chances enormes de dar certo porque nosso relacionamento recomeçou de forma pura e limpa.

Ainda virão muitos contos sobre as mãos, os olhos, o sorriso, o abraço dele. Porque são os melhores do mundo. Quanto aos problemas em casa com a família e a empresa… bom, ainda não se resolveram, mas hoje já existe fé, esperança e muito trabalho pesado para que tudo retorne ao seu devido lugar. Acho que mais importante que tudo é saber suportar a dor e o sofrimento. Uma hora tudo passa, ameniza… quando pisquei os olhos novamente me encontrei em setembro de dois mil e quinze. Outro ano que já se encaminha ao fim e a certeza de que a dor precisa ser sentida. Porque dores te fortalecem.

Se tem um mantra na minha vida poderia dizer que “roubei” de uma cantora… Ser Forte.

No fim, tudo se ajeita. Tudo volta para o seu lugar.

E meu amor… obrigada mais uma vez. Por ter me impedido de perder a chance de não tentar novamente estar ao teu lado. Cada segundo é valioso, e se for com você se torna precioso. Obrigada por ser meu melhor amigo.


Irmão de coração, amiga e mãe dele. (Véspera de ano novo)


O amor personificado com os olhos pelos quais sou loucamente apaixonada.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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