GOYA

Francisco de Goya é, ao lado de Velázquez e Picasso, um dos pilares da pintura espanhola. O pintor aragonês é um paradigma da genialidade na arte, a originalidade de sua obra se antecipa aos movimentos pictóricos posteriores.

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“Auto-Retrato” (1787-1800) Óleo sobre tela. Museu Goya, Castres.

Francisco José Goya y Lucientes (Goya) nasceu em Fuentedetodos, reinado de Aragão, Província de Saragoça, em 30 de março de 1746. Seu pai, José Goya, era artesão, e sua mãe, Gracia Lucientes, era da família mais nobre de Saragoça.

José Goya dourava as estátuas das igrejas. Francisco José crescia entre santos e monstros (frutos da imaginação e da superstição) e o cotidiano da Espanha empobrecida. Aos treze anos de idade, Goya é entregue aos cuidados José Luzán y Martínez, decorador de palácios e pintor. O fato é comprovado pelas pinturas de um armário de relíquias da igreja paroquial, onde estavam representadas as imagens da Virgem do Carmo, São Vicente de Paula e a Virgem do Pilar.

Mas Francisco José preferia as ruas de Saragoça, as touradas e as reuniões dos moços. Interessava-se muito pouco pelas aulas de Luzán. Envolvido em brigas, Goya é obrigado a deixar Fuentedetodos , e só existe um lugar que lhe oferece segurança: Madri.

Com vinte anos, Goya embarca para a Itália. Inscreve-se na Academia de Belas Artes de Parma e vence o segundo prêmio de pintura. a menção honrosa da Academia italiana fez com que surgisse encomendas. em 1773, Goya volta para Madri e casa-se com Josefa Bayeu, irmã do pintor Francisco Bayeu.

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“Retrato de Francisco Bayeu” Museu do Prado, Madri. O quadro foi pintado por Goya logo após a morte de Bayeu.

O cunhado, que trabalhava há dez anos em Madri junto ao pintor neoclássico Raphael Mengs (1728-1779), consegue colocá-lo na Manufatura Real de Tapetes de Santa Bárbara. Os tapetes que entraram na moda graças a Filipe V, vão servir para a formação de Goya como colorista (ele pintava canvas {espécie de cartão pintado à oleo} que serviam para a execução final das tapeçarias). Teve ocasião de pintar personagens populares em suas tarefas cotidianas em seus jogos, trabalhos, e em sua própria vida.

Em 1780, Goya é eleito membro da Academia de Arte de São Francisco, em Madri. Nessa ocasião, teve seu primeiro atrito com o cunhado porque, ao pintar Nossa Senhora, Rainha dos Mártires, mostrava publicamente seu inconformismo diante das pinturas acadêmicas da época. Goya tem consciência de que seu futuro depende dos poderosos da corte, e por isso os retrata. Goya os eternizava enquanto abriam ao pintor as portas da glória em troca da ilusão da própria perenidade.

Em 1789, Goya é nomeado Pintor da Câmara do Rei, por Carlos IV. É o título máximo, mas o artista paga o privilégio com todo seu talento. Pinta o rei, sua mulher e seus filhos; realiza também os últimos desenhos para tapetes. Essa etapa de desenvolvimento artístico de Goya, constitui o apogeu de sua vida, liga-se aos pensadores mais ilustres da Espanha, que aspiravam a uma reforma profunda da sociedade, coincidindo com as ideias do pintor sobre o assunto influindo nelas.

Em 1792, Goya viaja para Andaluzia, onde é atacado por uma enfermidade. A doença o deixa surdo para o resto da vida. A tragédia da doença faz Goya mudar sua pintura e a maneira de encarar a realidade. Muitas vezes o cenário de seus quadros é o mesmo de antes, mas a humanidade que agora transita por eles mudou.

Em 1795, Goya é nomeado Diretor de Pintura da Academia de Belas-Artes de Madri. Ao mesmo tempo, Goya foi chamado para retratar vários membros da família real, as encomendas não cessam, mas o artista parece preferir cada vez mais o povo espanhol como tema de suas telas. Antes de 1800, na Espanha ultraconservadora e exageradamente moralista, Goya pinta uma mulher nua: A maja nua. E, ousadia ainda maior, Goya gozador e cínico, pinta o mesmo modelo em posicão idêntica, mas vestido: A maja vestida. 

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“A maja nua” é realizada com cuidadoso desenho, pinceladas finas e tonalidades frias .
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“A maja vestida” é pintada com paleta quente, pinceladas atrevidas e soltas, numa composição que já anunciava o movimento impressionista.

Em 1808, Napoleão invade a Espanha. O rei submete-se ao imperador e o país é ocupado militarmente. No final da guerra, Goya pinta dois quadros admiráveis: 2 de Maio de 1808 Os Fuzilamentos de 3 de Maio. No primeiro quadro, Goya pinta o povo lutando contra o invasor; no segundo, as cruéis repressões das forças francesas de ocupação contra os madrilenos insurretos.

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“2 de Maio em Madri” O quadro foi encomendado pelo rei para “perpetuar por meio do pincel as mais notáveis e heroicas ações de nossa gloriosa insurreição contra o tirano europeu”.
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“Os Fuzilamentos de 3 de Maio” Comparado com o quadro anterior, esse tem um efeito dramático muito maior. Tal efeito é conseguido por meio da simples composição das formas e a distorção das figuras, atingindo aqui uma intensidade quase religiosa.

Em 1819, Goya recolhe-se numa casa de campo, nos arredores de Madri, Isola-se em sua “quinta del sordo” (quinta do surdo). Em 1826 volta a Madri, regressa logo a Bordéus e continua trabalhando. Já não pinta por encomendas, está livre da tutela dos poderosos, pinta totalmente impulsionado por afeto. Reproduz nas telas os componentes da sociedade que o rodeia.

Goya falece na madrugada de 16 de abril de 1828, com 82 anos.

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“O guarda-sol” (1777) Cartão para tapeçaria.
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“O vendedor de Porcelanas” (1779).
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“Inverno” (1786). Museu do Prado, Madri.
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“Verão” (1786) Museu do Prado, Madri. O quadro é conhecido também como ” O terreno de feno”.
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“O conciliábulo” (1798) Museu Lázaro, Madri.
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“O Colosso” (1808/12) Museu do Prado, Madri. A tela alude claramente ao medo gerado pela guerra, personificada na monstruosa figura de Colosso.
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“Saturno” (1820/23) Museu do Prado, Madri.
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“A leiteira de Bordéus” (1826/27) Museu do Prado, Madri.

“Não encontro outro meio mais eficaz de progredir nas artes, senão o de deixar, em sua plena liberdade, correr a genialidade dos discípulos que queiram aprendê-las, sem oprimi-los” – Francisco de Goya.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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