Terroristas Domésticos

Atentados são essas expressões usadas para ridicularizar alguém pela sua forma de ser, vestir ou falar. Terrorismo é ouvir por anos como você é feio, gordo, preto, banguela, narigudo ou orelhudo. Dor é sentir-se só mesmo que rodeado por milhares de pessoas.  Morte é se entregar à desesperança.

Esse texto não vem para falar de amor ou de guerra em suas formas clichês, mas para te fazer refletir sobre a falta do amor e o excesso de guerra. Existem teorias de que países superpotentes estão por trás dos atentados terroristas, existem suposições de que países de primeiro mundo ainda escravizam e mais tantas coisas. Mas será que isso é a escória do mundo?

Países querem liquidar as crenças religiosas denominando-se “estado-laico” enquanto querem ser ateístas. E pessoas defendem a morte em casos específicos, porém o usam para benefício próprio. Se matar alguém é um benefício então devemos matar quem nos faz mal? Devemos levantar bandeiras coloridas, vermelhas ou pretas para nos entitular-mos participantes ou defensores de algo que diz respeito somente a nós, mas que queremos provar a qualquer custo que somos e pensamos assim?

Amor é muito lindo quando dito em poesia, em novelas ou comédias românticas cinematográficas… mas praticá-lo ninguém quer, né? Porque amar é tão difícil quanto sobreviver. Acordar todos os dias ao lado da mesma pessoa é impossível porque você deseja a libertina liberdade de poder acordar ao lado de vários outros quando bem entender. Ou ter o direito de trocar essa pessoa só porque não concordam em esperar um tempo para ter filhos, ou não esperar para tê-los.

O sentimento morre quando você decide que no seu relacionamento só você tem o direito de trair, só você tem o direito de ser livre, só você pode pecar nas satisfações. Mas e o respeito? Você já teve respeito por alguém? Respeito não é chamar uma pessoa mais velha de senhor ou senhora, respeito não é apenas evitar palavras de baixo calão perto de crianças. O respeito parte do pensamento “farei apenas o que gostaria que fizessem comigo”. Porque o homem precisa pensar em si para poder pensar no outro, se colocar no lugar de quem está ao teu lado.

Mas por que matam?

Matam porque acham que isso lhes dá poder. Matam porque acreditam que tudo acaba na morte. Matam porque julgam que o ciclo termina na morte mesmo sabendo que ciclo nenhum tem fim.

“Descobriram a cura para o HIV” mas aí aparece um câncer novo… “descobriram a cura para a dengue” e então um outro mosquito transmite outra doença… “Ovo engorda e faz mal para o colesterol” e descobrem que ele pode curar doenças… nada finda. Tudo sempre gera algo talvez pior.

Grupos islâmicos têm esboçado seu desejo em tomar o poder mundial dos países mais desenvolvidos, mas esquecem que alguém virá a tomar seu lugar caso consigam. Foi assim com todos os impérios! Bárbaros, Romanos… Até Hitler está nessa lista! Ora, vejam! Hitler está morto. Matou inocentes judeus. Terroristas matam inocentes europeus. Igreja Católica matou muitos inocentes nas cruzadas… e tudo foi piorando. E toda vez a culpa (ou desculpa) era de alguém pior. E mesmo assim sabemos que não são todos. Haviam romanos contra seu império, haviam cristãos contra aquelas mortes como existem ativistas islâmicos contra o terrorismo.

É realmente muito melhor encontrar alguém para levar a culpa, é muito melhor dizer que você se automutilava porque alguém te chamou de gordinha, baleia, rechonchuda, bila bilu! Enquanto você sabe, mais que qualquer um, que fez isso por não querer ser você mesmo.

Talvez o mundo esteja focado em um aplicativo, em uma rede social, em um vídeo de dez segundos muito engraçado de pessoas brigando e que, se esquecendo de viver, vai deixando de perceber como o Rio Doce é lindo, ou era… talvez um ângulo certo do Rio Tietê que está menos sujo com aquele filtro te renda milhares de likes. Talvez aquele #SDV te faça muito mais feliz que o ar puro que está passando pelo seu sangue a cada respiração.

E então clamam aos índios que peguem de volta esse Brasil de Santa Cruz com um singelo “Nos desculpe” como se algo fosse se resolver. Ou cantam vaias à presidente do país que todos reelegeram. “Melhor estar ruim que muito pior”. Não! Muito melhor o nada que tudo isso!

Talvez todos precisem se desplugar da tomada e passar a refletir sobre toques, cheiros, sabores… talvez devessem vasculhar a estante empoeirada atrás de um livro de poesia de séculos atrás. Talvez, só por um instante, todos devessem ouvir uma valsa, beber um bom vinho e celebrar a vida. Todos! Até mesmo aqueles que nesse momento estão sendo decapitados, estão sendo feitos reféns, estão sendo estuprados, estão apanhando, morrendo nos leitos dos hospitais, os que estão caídos na rua por causa do crack, os que estão chorando com medo da morte… e principalmente aqueles que não tem água, não tem alfabetização, não tem nem aquele grão de feijão que tu, reclamão, jogou fora depois de almoçar.

Lembre-se: sempre haverá alguém com um sofrimento pior que o seu. Então pare de reclamar da sua vidinha cômoda e vá ajudar sendo alguém melhor. Porque você pode sim estar sendo um terrorista.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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