Tom

Ele ia de tom em tom, de nota em nota e de rima em rima. Tinha receio em muitas coisas, como em ser feliz, mas era louco em tantas outras, como na música. Sabia como ser simpático com todos a sua volta e sorria naturalmente deixando que o som de sua risada ecoasse pelos sete ventos.

Era um cavalheiro! Abria portas para as donzelas, surpreendia sua amada com seu romantismo, presenteava seus filhos de coração… e em meio a tanto amor ele conseguiu se desligar.

Tom se encontrou com a dor. Seus pecados o corroeram e sofria demasiadamente, incansavelmente se rendia à tristeza e à angustia. Sua música soava exaustivamente em notas menores. Suas risadas estavam silenciosas e seus lábios já não se moviam mais.

Foi quando encontrou Orquídea. Uma jovem doce, sensível, delicada e ao mesmo tempo severa. Ela lhe mostrou o assassino de suas irmãs, o florista! Ele sempre vinha com aquela feição apaixonante e quando suas irmãs se rendiam a ele, este lhes arrancava pela raiz.

Tom, abismado, decidiu cuidar de Orquídea que o questionou sobre o céu, a terra, as leis e a verdade absoluta. Esta o fez perceber que havia deixado a dor mata-lo e levantou acusações duras contra ele, que havia sido tão fiel a ela que quase fora seduzida pelo florista.

Foi quando ele deixou que os pensamentos o rondassem. Orquídea tinha dito que ele sabia muito bem o que deveria fazer, quando fazer e porquê. Disse também que sabia o quão bom ele era para as outras pessoas e que a felicidade está nas coisas pequenas, porque esta não pode ser vivida por mortais egoístas e alucinados. Este era o maior motivo pelo qual muitos a buscam e não a encontram.

Tom percebeu que nas pequenas coisas havia sido feliz, que mesmo nas horas de maior sofrimento, de medo e de insegurança esteve ao lado da felicidade. Mas ainda não sabia o que fazer e não entendia porque Orquídea lhe afirmou isso.

Cheio de perguntas sem respostas ele resolveu caminhar pela praça. “Respirar novos ares”. Mas seu pensamento estava em Mel.

Mel havia sido difícil de conquistar, por muitos anos se deixava nos braços dele e de repente lançava lhe abelhas. E há tempos ele se incomodava tanto com essas abelhas que havia desistido de degustar apenas Mel.

Mas agora se perguntava: Mel lhe fazia realmente feliz? O tipo de felicidade que envolve barreiras, mas que também lhe ajuda a vencê-las? O que faria dali pra frente?

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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