Outra

Ela nunca vai estar presente nas datas mais importantes para ele, não por falta de vontade, mas por não poder. Já parou para pensar em como é ruim não poder? Não ser presente na vida dele como ela acha que deveria; não ser apresentada aos amigos dele como a pessoa que ela de fato é. Os filhos dele não poderão conhece-la e nunca irão aceita-la em suas vidas como alguém que realmente importa.

Ela é alguém que jamais será parte da família dele, jamais irá saber se a mãe dele é boa ou não, se o pai dele conta aquelas piadas horríveis. Ela nunca vai poder conhecer o tio chato, a prima esnobe, o irmão safado…

Ela nunca vai poder sair em público com ele, segurando em sua mão. Não poderá fazer declarações de amor e muito menos recebe-las se passarem do quarto em que frequentam. Ela não poderá ligar sempre que quiser, sempre que precisar ou sempre que estiver sem sono.

Ela não vai poder fazer surpresas no trabalho, trocar presente, apresenta-lo aos amigos e familiares. Ela não poderá passar todos os fins de semana, sentada na cama curtindo preguiça, nem os feriados, muito menos as férias. Ela será obrigada a e contentar com visitas rápidas, poucas respostas e poucas perguntas.

Ela passará a semana inteira planejando o dia em que, enfim, poderão se encontrar. Mas ela sabe que qualquer a ligação ele poderá ir embora, então sempre terá medo de que o telefone toque e ele vá.

Mas ela o ama.

Ela quer lutar por ele.

Ela acha que seu amor e todo o sexo que fazem é maior que a vida construída com a esposa, filhos, casa…

Ela se ilude achando que pode lidar com o fato de que ele irá se divorciar, porque ele promete enquanto olha nos olhos dela. Mas é com a esposa que ele passa a noite toda.

É com a esposa que ele pode brigar quantas vezes quiser que sempre voltará para ela.

É com a esposa que, mesmo com todos os problemas, ele vai dividir as tristezas, as alegrias, as promoções no trabalho, o novo passo do caçula, a nota alta do outro, a aprovação numa universidade do mais velho…

Ela será sempre a outra.

A amante.

A errada.

A nada.

Mesmo que não queria, mesmo que se obrigue a mudar isto.

Ela jamais terá a aliança no dedo.

Jamais será aceita por quem é importante para ele.

Jamais fará parte de tudo o que ele construiu.

Ela é só a parte obscura da vida dele.

Mesmo que o ame.

E que ele a ame de volta.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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