Por que não eu?

Ela gosta do seu espaço, do seu pedaço, do seu desarrumado. Não curte muita novidade numa mesma semana porque prefere a tranquilidade que sua rotina proporciona. Ama se jogar no sofá, distante de tudo, se amando na tranquilidade. Após um bom vinho, uma boa pausa até cair no sono. É quando tudo o que já quis dizer a alguém lhe vem a cabeça, mas aí já é tarde demais para dizer.

Ela é do tipo que prefere pedir o jantar da sexta a noite porque diz ser melhor gastar seu tempo de cozinha com outras coisas. Se sente rejeitada por nunca ter se estabilizado com alguém do seu lado, uma pessoa que -segundo ela mesma- fosse boa o suficiente para agregar, apenas.

Adora o espaço que dá para os outros e gosta quando lhe fazem o mesmo. Sente-se como se fosse a melhor pessoa do mundo porque é do jeito que gosta. Mas ninguém mais a entende, ninguém se aproxima. Talvez por culpa própria de se excluir dos afetos até em amizades, seu cumprimento é apenas aperto de mãos e só.

Seu jeito faz com que crie uma muralha que a separa das pessoas e, muitas vezes, ao encontrar aquele cara que desperta sua mente para relacionamentos, esses caras fogem. Não que ela seja má pessoa, só parece ser segura de mais e isso os deixa pouco a vontade.

E em meio a tantas certezas sobre si, ao assistir a vida de suas amigas e as ver com alguém ela sempre se pergunta por que não eu? Por que não sou feliz assim com uma pessoa? Por que eu não quero tanto assim alguém? Por que aquele rapaz que já gostei não me quis? Por que não casei ainda? Por que eu nem quero casar e ainda fico triste por isso não acontecer?

Por que não ela?

Ela não é de todo mal… mas essa autossuficiência lhe coloca numa caixa de vidro. Observa a todos e não deseja os mesmos males, mas isso não a impede de  viver males tão grandes quanto.

Existe pessoa errada nessa história?

Creio que só exista a falta de coragem em se arriscar e tentar ganhar aprendizados. Porque o copo nem sempre está meio vazio. Ela só deve começar a se perguntar por que eu não? ao invés de por que não eu?.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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