Rosas e hortelã

O ar do campo trazia um cheiro de rosas, mas com um fundo de hortelã. O hálito dele perto de sua boca já vinha mais quente e seus lábios estavam vermelhos como um morango. Ela já não conseguia respirar de forma calma pela surpresa de ser correspondida tão rapidamente.

Havia tempos em que o medo era mais forte que a vontade de amar, o orgulho sempre a matava e a fazia perder as graças da vida. Foi quando decidiu se permitir. Quebrar a cara não parecia mais tão terrível.

Perder não é de todo o mal.

Se o coração souber que pode sofrer, então ele se prepara e foi o que ela escolheu.

Decidiu vê-lo e abrir seu coração, decidiu arriscar e só ganhou com isso. Seu orgulho foi ferido enquanto o amado ficou em silêncio, ela sentiu a saliva descer seca entalando na garganta. A respiração apertando e o medo de sofrer era enorme.

Mas seu amado a correspondia até no medo do não. E a liberdade de poder dizer o que guardava só para si a deixou extasiada.

“Por que guarda o amor só para mim?” pensava.

De fato, tanto amor deveria mesmo se libertar das correntes do orgulho para alegrar a todos a sua volta. Porque quando se está enamorado esse sentimento transborda nas outras relações humanas.

Com essa liberdade passou a arriscar mais e a não planejar tudo.

E sem perceber, os lábios do amado estavam próximos dos seus. Instintivamente fechou os olhos, mas logo os abriu porque queria guardar cada milésimo de segundo daquele momento. Sentiu a respiração mais quente chegando cada vez mais perto de sua boca e seus corpos já emitiam uma mesma vibração. Os dedos dele tocaram seus cabelos e por um momento ela perdeu o chão.

O corpo amoleceu e o orgulho já havia sido aniquilado.

Nesse pequeno momento ela se sentiu livre.

Tocando o roto de seu amor o beijou.

O beijou como se estivesse se alimentando desse amor que vinha guardando só para si, o beijou com a delicadeza mais nobre que cultivava sem perceber, o beijou como se nada mais existisse e o mundo fosse único e exclusivo para aquele momento.

O beijou realizando sua maior vontade.

Foi então que acordou.

“Nem tudo é perfeito…” pensou pesarosa.

Mas decidiu se arriscar.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

2 comentários em “Rosas e hortelã

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