Equivoco

Ela, que não sabia o que era perdoar, amava. E quem sabe como é amar muito se recorda que perdoar é essencial.

Ela, ainda presa aos seus medos, se permitia ao devaneio, aos mesmos erros e ao pânico de que jamais serviria como alicerce. Acreditava cegamente na inocência de seu príncipe sem notar que a ele deveria perdoar, também.

Insistia no platonismo como chave mestra a todos os seus amores sem que deixasse seu corpo seguir seus instintos selvagens também tão importantes.

E quando estava prestes a se vender a um amor que não poderia tocar se feriu no espinho, como o da flor… o da rosa. E ao se ver ferida sentiu-se tão coitada que permitiu se enganar.

O amor escorreu pelas mãos que infelizmente não eram de açúcar.

E no amargor do ser ferido ela não se perdoava. Batia o pé! Gritava e esperneava!

“Meu coração ninguém fere, ninguém toca, ninguém magoa!”

A um passo do precipício ela, prestes a se atirar, viu uma mão estender-se. Mas não a agarrou. Sem notar a proximidade da queda ela tropeçou. E com seu erro se magoou.

E magoada consigo mesma se entregou à morte.

Equivoco maior que esse jamais cometera.

Sorte que a toda donzela oferecida em morte um zeloso rapaz sente-se obrigado a salvar. Mesmo que não quisesse, mesmo que não merecesse, mesmo que já tivesse desistido de viver ela permitiu-se uma chance pela persistência do rapaz.

Não era seu príncipe, não era nem de longe atrativo, não lhe interessava, mas lhe despertava a selvageria mais profunda que sempre negou-se a assumir que tem.

E na fome descontrolada procurou saciar-se e deixou que o rapaz a tocasse e sem que quisesse ou se atrevesse ela o amou.

O amou a ponto de perdoá-lo.

Mesmo que ele não merecesse seu perdão.

Equivoco maior que esse ela não evitou não.

A rosa é linda, atrativa, perigosa. Deliciosa. Causa paixão e depois te fere o coração.

À selvageria não se entregue não…

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Escrito por

Estudante de Jornalismo e brasiliense. Apaixonada por cinema, literatura, música, culinária e beleza. Com família paraense, das raízes indígenas, se criou em Brasília onde pode descobrir mais sobre o mundo e se apaixonou pela profissão que escolheu. Criou o Diário em 2014, quando decidiu manter vivas as poesias que mantinha em cadernos por anos.

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