Não, eu não voltaria!

Foi essa a resposta que dei hoje ao olhar meu aplicativo de mensagens. Logo pela manhã, alguém me intrigou com essa pergunta: Se eu te pedisse pra voltar, voltaria? Por alguns minutos aquilo ficou remoendo dentro de mim. Não havia número nem foto, mas eu sabia de quem se tratava.

Eu lembrei de tudo, desde o começo. Dizem que um filme passa pela nossa vida quando estamos prestes a morrer, acho que esse filme também passa quando somos surpreendidos por perguntas como essas. Mas não um filme todo; apenas a parte da história que você se machucou.

Então, esse filme surge e lhe mostra o roteiro da sua fragilidade. De como você estava antes de isso acontecer e como foi bom ter acontecido. As longas conversas madrugada a fora, os almoços, as tardes e os domingos. Era tudo muito bom. Era tudo incrível. Parecia que dessa vez iria dar certo. Mas não foi assim. A sensação mais terrível sobre relacionamentos, é que lhe mostram o paraíso e depois lhe arrancam bruscamente. O roteiro segue.

Eu tive vontade de dizer que voltaria, mas o filme foi mais adiante e me lembrei do que senti. Das noites de insônia, dos choros e gemidos doloridos, da falta de ar que aparecia quando meu pensamento era invadido por nossas lembranças. Lembrei que aguentei tudo isso sozinho. Lembrei que consegui seguir a diante e colocar um novo roteiro pra rolar. E agora estou bem. Suficientemente bem pra dizer que gosto ainda mais de mim desde que você se foi.

Não há como esquecer pessoas, momentos e abolir sentimentos. Mas a gente sabe os gatilhos que nos destroem. Por isso eu já não tinha seu número na minha agenda. Pensei em te ligar, mandar um “oi”, mas eu aguentei tudo. E hoje, mesmo que eu sinta a sua falta, não te quero de volta.

Aceite as minhas desculpas, do fundo do coração. Aceite que quem gostou muito de você não está mais aqui. Aceite, você, que eu vou embora.

Aceitei esse pedido de te olhar nos olhos de novo pra que possamos resolver por vez tudo isso. E quando chegar a minha vez de falar, vou calçar os meus sapatos, vestir minha jaqueta, colocar a mochila nas costas e dizer: Estou indo embora e deixando a falta que você fez aqui, junto de você.
Texto do colaborador: Tiago Brito

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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