Testemunho?

Até que ponto você está deixando de ser você para ser o que os outros esperam que seja?

Hoje eu vim para desabafar porque este blog ainda é o meu diário e já que não existe a possibilidade de eu falar tudo o que tem me atormentado a ninguém (porque as pessoas próximas a mim jamais entenderão a gravidade de tudo) decidi escrever. Afinal de contas, escrever ainda é a melhor coisa na minha vida.

Eu não sei quais os graus que a depressão tem ou se tem em graus, mas sei que existem vários tipos. Acho que comecei a entrar numa delas há três anos.

Me recordo de dias da minha vida, lá pra 2005/2006, quando meu pai estava lutando sozinho pra sair do desemprego fundando uma empresa, enquanto minha mãe ficava comigo em casa esperando alguma notícia boa. Me lembro de algumas vezes não ter comida na geladeira, mas de alguma forma na hora do almoço tinha algo na mesa. Algumas vezes, das muitas em que meu pai voltava pra casa no fim da tarde depois de caminhar por toda a cidade (e em várias cidades) porque não tinha carro e nem dinheiro pra passagem, ele sentava na ponta da mesa que dava pra ver da porta do meu quarto, e ele chorava porque não conseguia comer de tanta preocupação. Algumas vezes a gente tinha comida porque algum parente levava… mas nunca faltou de fato. Todo dia tinha algo na mesa. Isso sim me deu forças para defender a fé que sempre tive em Deus, porque eu rezava feverosamente para que nada faltasse e eu sei que não era a única a pedir isso. Mas com doze anos eu tinha noção dessas coisas.

Estudei em colégio muito bons, mesmo não sendo a melhor aluna. Quando ia completar os quinze anos minha mãe descobriu o câncer que só não foi mais forte porque Deus realmente não quis. Quando ela estava no fim do tratamento uma prima faleceu por causa de outro câncer, meus avós paternos também… e eu reprovei no colégio. Tinha a certeza de que também teria uma doença e iria morrer. E até cheguei a pensar “se eu vou morrer um dia pra que vou me matar de estudar?”

Nessa época a empresa estava ótima. Muitos conhecidos, que iam se casar, pediam a ajuda do meu pai porque a empresa era nesse ramo. Ele ajudou tanta gente que não consigo contar. Vale ressaltar que muitas dessas pessoas eram da igreja que frequentamos até hoje.

Eu achava que, por ter reprovado e nunca ter sido boa aluna, jamais seria capaz de passar numa Universidade. Na minha cabeça eu iria trabalhar de qualquer coisa pra pagar a minha faculdade. Viajei com o grupo da igreja pra jornada mundial da juventude de 2011 lá pra Madri e quase reprovei de novo por perder todas as provas. Mas fui porque defendia a minha fé com todas as minhas forças! No ano seguinte eu estava no meio do terceiro ano e de recuperação em umas nove matérias e… fui aprovada no vestibular da universidade de Brasília entre os vinte primeiros colocados.

O curso não era o dos meus sonhos, não era o que eu esperava e desisti. Mas bem nessa época a empresa quebrou. A crise chegou para todos. Meu pai pediu ajuda a algumas pessoas e é aqui que queria chegar.

Às pessoas que nos ajudaram, sou grata eternamente! Mas às pessoas que só nos fizeram mal com suas fofocas, mentiras e falsidades eu peço perdão. Perdão por ter confiado tanto nas pessoas que aparentavam ser e não eram. Perdão por odiá-las com toda a força do mundo! Principalmente por serem pessoas religiosas.

Um tempo depois fui enganada por um rapaz, que a pouco ainda teve coragem de me olhar nos olhos e sorrir como se nada tivesse acontecido.

Não estava estudando porque não podíamos pagar, não estava trabalhando porque não conseguia emprego, não estava namorando porque havia sido largada do nada, não confiava em ninguém porque as pessoas haviam sido falsas. Foi fácil chegar no nível de não querer sair de casa, de não querer fazer mais nada e até ao ponto de querer me matar. E eu quase me matei. Mas fui impedida por dois amigos e por uma música.

Fiquei tão envergonhada de ter perdido a minha fé facilmente que nem rezar conseguia mais. Ou seja, não tinha mais nem o meu Deus.

Alguns dias atrás resolvi não deixar mais nada disso me ferir. Estou fazendo uma lista de coisas que quero realizar, fazendo novos amigos, conhecendo novos lugares, me reaproximando da minha família e me reapaixonando por tudo. Até recuperando minha fé. Você pode achar bobeira, mas é como disse o papa Francisco “Deus da a cruz que sabe que podemos carregar” que nada mais é que ‘você é capaz de entrar no teu sofrimento e sobreviver’.

Mas eu demorei tanto pra falar de tudo o que estava sentindo que isso estava me matando. Hoje, exatamente hoje, eu acabo de exorcizar isso. Consegui me reconciliar com pessoas que eu não conseguia manter um bom relacionamento, que eu não gostava ou que eu não sabia lidar. Consegui falar tudo o que estava escondendo dos meus pais, essas dores. E de repente ficou tudo tão suportável que parece bobeira, parece que ficou tão pequeno!

O que me fez sofrer todo esse tempo foram os julgamentos com todas as pessoas que falaram coisas absurdas e mentiras catastróficas! Sério. Por que tudo isso? As pessoas falam o que querem sem se perguntarem se aquilo pode fazer alguém sofrer. Fazem fofoquinhas e aumentam histórias só por prazer, mas ninguém chega em você e pergunta como você está, como se sente… nem ao menos te perguntam se está bem! Se você está séria vão dizer que está com raiva, e se você se fecha eles falam que é orgulhosa, que não se aproxima de ninguém… sabe, tantas coisas dessas que eu ouvi fizeram tudo ter muito mais peso. E sim, eu ligo muito pro que dizem quando são pessoas próximas que me conhecem desde pequena. Ou pelo menos ligava, porque estou tão cansada de tudo isso que não tenho mais me importado.

Já decidi me arriscar nas coisas que tenho vontade de fazer. E para 2017 eu espero que uma nova eu exista. Tudo isso ficou no passado, faz parte da minha vida, mas não tem mais importância. E eu espero que as pessoas realmente parem de propagar as mentiras que ainda andam falando. Acabou essa fase, acabou uma eu depressiva, triste, cabisbaixa. Não vou mais mendigar nada! Nem ter dó de mim. Chega um momento na nossa vida que precisamos mudar quem somos para melhorar, evoluir, e eu vou fazer isso. Hoje é o dia. Hoje é um novo começo. Hoje sou uma nova eu.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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