Deixa eu bagunçar você?

Eles estavam sob o mesmo céu e ainda assim não se enxergavam.

Seu coração era fechado a qualquer dama que o tentasse conquistar. Nenhuma o havia hipnotizado a ponto de permitir que se apaixonasse perdida e loucamente. Se alimentava de café quente pois acreditava ser a melhor forma de se esquentar… no máximo provava lábios, mas sem doar-se. 

Já a louca morena de olhos sorridentes se aquecia com o café, da mesma forma que ele, porém, para relembrar a sensação. Havia provado alguns lábios, mas doado o coração que fora sempre devolvido cheio de feridas. 

O destino os cruzou como se por maldição, em partes. Um único encontro. Um único telefonema e um único abraço. Em um dia se viram, em um outro dia conversaram. Se conheceram tão pouco e já tanto se queriam bem. Ele não sabia, mas a pediria em casamento. Ela não sabia, mas aceitaria antes mesmo dele terminar a frase, sempre tão apressada e impaciente. 

Quando, numa noite, perceberam que os setecentos quilômetros de distância seriam o grande problema, ela o fez olhar o céu, de onde estava e, docemente, o prometeu esperá-lo com a mesma certeza de que estavam sob o mesmo céu. 

– Olha esse céu! Estamos sob ele da mesma maneira. O vemos do mesmo lugar! Enquanto o céu for o mesmo eu vou te esperar vir me encontrar. 

– Ainda que demore, estaremos juntos. Te prometo.

Trocando juramentos e sonhando acordados amadureceram o sentimento e o céu se apaixonou por seus afilhados. Àqueles que se dedicassem a entregar seu coração, mesmo com medo, por amor, receberiam muitas graças… muitas chuvas viriam suaves para ajudar a florir esse amor. 

Seu coração havia aprendido a amar alguém mesmo que tão distante, o dela havia se dado mais uma chance. Nunca é tarde para permitir uma bagunça nova.

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Escrito por

Estudante de Jornalismo e brasiliense. Apaixonada por cinema, literatura, música, culinária e beleza. Com família paraense, das raízes indígenas, se criou em Brasília onde pode descobrir mais sobre o mundo e se apaixonou pela profissão que escolheu. Criou o Diário em 2014, quando decidiu manter vivas as poesias que mantinha em cadernos por anos.

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