Psiu

– Ei! Psiu.

Ela gritou para ele que, havia se despedido há trinta segundos, virando-se novamente para ela abrindo-lhe um sorriso. Aquele sorriso que alegrava todos os dias em que passavam juntos e o mesmo sorriso que dava forças, a ela, para esperar o próximo toque.

– Oi, menina.

– Volta aqui! – ela abria os braços como uma criança – Sabe que não deves ir sem que eu lhe confesse algo.

– Minha menina, eu ficaria a vida inteira se não tivesse que entrar naquele avião. – ele a abraçou e foi quando ela se desmontou por inteira. Seus lábios tremiam involuntariamente, a respiração pesava e, sem sucesso, tentava engolir o choro, seco, que lhe tapava a garganta.

– Odeio ter que me despedir de ti. – ela soluçava entre lágrimas quietas que escorriam escondidas e lutavam para não molhar a blusa cinza dele.

Segurando-a nos braços ele a beijou mais uma vez. Por um momento era como se estivessem apenas eles dois ali, nada podia roubar-lhes a atenção. Nem mesmo a voz que o chamava para o voo.

– Eu preciso dizer o quanto amo teus olhos. – ela disse encarando-o.

Sua timidez estava quase inexistente, mas mesmo assim ele corou.

– Eu que amo teus olhos. – ele disse com um sorriso.

– Eu preciso dizer o quanto amo teu sorriso. – ela disse encarando, agora, seus lábios que recebiam carinhos das pontas de seus dedos.

Suas unhas, calmas, fizeram o caminho até a nuca dele e pousaram num toque frio ali. Ele fechou os olhos por um momento tentando eternizar aqueles segundos.

Ela tinha vontade de dançar com ele, uma valsa, um chote… como se a vida fosse um musical. Mas não se tem isso na vida.

– Ei.- ela sussurrou.

Ele abriu os olhos encostando suas testas.

– Oi, menina.

É que eu preciso dizer que te amo… tanto! – ela cantarolou meio rouca.

Sem respostas ele deixou que uma lágrima escapasse de seus olhos que já não aguentavam a despedida.

– Eu te amo, menina.

Entregaram um último beijo e já começaram a contagem regressiva para o próximo encontro. Sem saber o que o futuro lhes preparava, e o quanto já se pertenciam, ele voltou para casa e ela para a de seus pais. 

Antes que o próximo encontro acontecesse ela descobriu o presente que lhes aguardava… uma semente que germinava fervorosamente dentro de seu útero estava crescendo saudável e com a mesma quantidade de amor, se não mais, que ela guardava por seu amado. Amado este que a buscou para sua nova vida juntos.  

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Escrito por

Estudante de Jornalismo e brasiliense. Apaixonada por cinema, literatura, música, culinária e beleza. Com família paraense, das raízes indígenas, se criou em Brasília onde pode descobrir mais sobre o mundo e se apaixonou pela profissão que escolheu. Criou o Diário em 2014, quando decidiu manter vivas as poesias que mantinha em cadernos por anos.

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