A criança que existe em mim

Quando eu era criança eu vivia me perguntando o que queria ser quando crescesse. Eu cresci. Cresci, mas parece que essa dúvida do “o que eu sou” e do “o que eu quero ser” continua sempre presente. Por que estamos sempre planejando o futuro enquanto deixamos o presente de lado?

Eu cresci, mas ainda me divirto comendo, fazendo e falando besteiras. Eu me preocupo com as contas a pagar, mas ainda fico ansioso para chegar em casa e assistir o meu desenho favorito. Eu saio para comprar produtos de limpeza para minha casa, mas ao passar na rua e ver crianças brincando eu tenho vontade de me juntar à elas. Eu me divirto na balada, mas não vejo a hora de chegar em casa, colocar meu pijama e ficar deitado por horas ouvindo músicas. Músicas estas, que em sua maioria foram lançadas na década passada. Com isso me vem o frequente questionamento: será que nossos pais, que para nós sempre foram adultos, nos viam quando éramos crianças e também queriam jogar as contas pro alto e apenas brincar conosco? Ou, para ser mais radical, embora não literariamente, será que eles não queriam nos jogar pro alto para então fazer coisas “não produtivas”, como ir ao cinema, ver filmes, jogar tempo fora, sair com os amigos? E que culpa eles poderiam ter se desejassem isto?

Ninguém deixa de ser criança. Ninguém pede para ser adulto. Por que precisamos abandonar uma coisa para “adentrar” em outra? Eu não quero ser adulto, mas também não quero ser tratado como criança. Eu quero fazer coisas de adultos, mas sem deixar de fazer coisas de crianças e quero me sentir livre para isso. Eu quero ter a facilidade de entender que a criança que existe em mim, em meus pais, em meus avós e nos adultos em geral ainda está ali. Entender que eles também sentem medo; que eles também sentem insegurança; que eles também querem, em muitos momentos, largar tudo para brincar de amarelinha na calçada ou de pique esconde na estrada. Sobretudo, entender que eu não preciso me pressionar a ser adulto todo o tempo. Que ser criança também é bom e necessário.

Crianças, aproveitem. Adultos, se libertem. E se você está nessa longa – talvez eterna – e confusa fase de transição, como eu, não deixe nunca de se divertir com o que achar que vale a pena, independentemente da idade. Que saibamos pensar no amanhã, sem deixar de aproveitar o hoje com o brilho nos olhos que o ontem nos deu.

Texto: Matheus Guelsi

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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