Em cor de rosa

 

Havia chovido bastante e a rua estava cheia de poças d’água traiçoeiras. Algumas gotas estavam atrasadas e faziam o dia mais calmo. Guarda-chuvas coloriam a rua e os poucos carros, vagarosamente passando, traziam um pouco de vida àquele momento.

Ele estava ali, parado, sem reação. Havia esperado aquele momento com o coração aflito e disparado. Finalmente olhava os olhos de sua amada.

Ela estava meio nervosa. Seus pés estavam molhados e esquecera seu cardigan em cima da mesa que ficava ao lado da porta, tamanha era sua pressa que nem percebera.

Os sapatos dela estavam molhados e ele percebeu, sorriu e foi ao seu encontro. Atravessou a rua sendo pego por algumas poças mentirosas que lhe molharam até metade da canela, o que fez ela rir.

– Ao menos agora estamos quites. Não pode mais rir de mim. – ela lhe disse quando ele parou a sua frente com seu guarda-chuva agora para o lado permitindo-lhe estar a um beijo de distância dela.

Ela sempre ficava sem graça quando ele a encarava, era o único que lhe fazia baixar o olhar. Seu sorriso havia se desfeito por culpa daquele beijo que confirmava a quem se pertenciam.

– Está linda, como sempre. – sussurrou em seu ouvido lhe dando um outro beijo, só que agora na bochecha.

Ela adorava a forma como, sem deixar morrer cada gesto de carinho, ele a aquecia sempre com seu amor. Era como se visse tudo em cor de paixão, de amor. Estando ou não em seus braços, estando ou não com a cabeça em seu ombro, não importava como… por tê-la ganhado, em seu coração se confirmava e então se juravam de todas as formas manter esta paixão viva.

Se amavam em lanches da tarde, se amavam debaixo de chuva, se amavam por meio de palavras, se amavam com carinhos antigos… beijos na testa, nas mãos, no rosto. Se amavam em suas noites inteiras, se amavam sem que isso acabasse. É incrível sentir que seremos felizes até morrer só por ter aquela companhia.

Ele a levou para casa, lhe fez um prato novo que havia aprendido sozinho. Comeram, conversaram sobre amor, sobre política e religião. Discutiram sobre as forças da natureza e seus carmas. Beberam um bom vinho, se secaram do banho que as poças d’água lhes deu. Ouviram suas músicas favoritas, aquelas que ninguém mais gostava e chamavam de músicas depressivas. Dançaram sentindo o cheiro um do outro, corpo colado, quase não falavam nada para aproveitar cada momento.

E quando anoiteceu, em silêncio, trocando carinhos sonolentos, acordaram a paixão fervorosa com um beijo. Seu vestido, agora seco, foi ao chão. As roupas dele fizeram amor com as delas, ambas jogadas ao chão recebendo respingos de suor.

Faziam isso sempre que a rotina lhes estressava… viviam como amantes para enganar o cérebro. Mas sempre se apaixonavam novamente. O coração jamais esqueceu o outro e isso lhes dava tamanha alegria… era como se vissem tudo em cor de paixão… como se la vie en rose!

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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