A sinfonia da noite

E os lábios mais lindos, que já o tocaram, desejavam beijar-lhe o corpo por completo, desnudar-lhe a alma cavalheira e lhe despir de todas as inseguranças que tua mente, um dia, criou.

No ritmo daquela música, que tanto cantaram juntos, as gotas do suor caiam marcando suas roupas. O hálito, como sopro cheio de vida, embaçava os vidros do carro.

Cada centímetro do corpo era gravado na memória pelos dedos mais macios e amáveis que já o tocaram. A mão que segurava o cabelo negro e cheio de cachos dela tinha a força suficiente para lhe desmontar, completamente.

Os dentes -que davam vida ao sorriso mais apaixonante- marcavam os ombros daquela morena jambu como Pero gravou em sua primeira vista deste Brasil, com tinta, em sua carta.

Nenhum odor de qualquer jardim era capaz de superar a beleza daquela pele doce e grossa… ela não sabia controlar sua paixão pelo cheiro dele… ela não sabia controlar seu desejo por ele.

Era impossível manter-se sãos.

Não haviam meios de tirar os olhos um do outro, e se houvesse eles evitariam. Queriam doar-se ao outro com a fome da paixão pela qual tanto lutaram contra e, finalmente, se entregaram.

Ao desnudar-se, seus corpos brilhavam com o suor causado pelo outro quando a meia luz dourada lhes tocava a pele, trocaram juras ao pé do ouvido. Era a condição.

Suas vozes, roucas, lançavam gemidos altos. Os toques engrossavam. Os corpos pigavam suor.

Os corações acelerados conduziam a melodia daquele amor, como um único maestro. As unhas, que marcavam o corpo dele, eram como baquetas de tambor… o beijo era o conjunto dos violinos. Seus gemidos eram o coro lírico. Os braços, fortes, eram todo o grave daquela sinfonia e o clímax da noite tinha um final inesperado…

Eles dormiam com os corpos ainda colados, porque sabiam que àquele ponto já eram uma única carne… como se estivessem encontrado a parte de alma que lhes faltava.

 

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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