Carta a mim mesma

Querida eu de dez anos atrás,

Primeiramente, saia do teu personagem de garota tímida que se cala e se fecha em si ao invés de ser livre e voar por entre as pessoas.

Saiba que você ainda vai passar por coisas horríveis, mas que tudo vai ser útil pro teu crescimento; nesses momentos, por favor, chore mesmo, se desmanche em lágrimas e grite até teu peito esvaziar e você se sentir leve.

De forma alguma se ache menos. Você não tem ideia do quão criativa é e do quanto as pessoas a sua volta gostam da tua companhia sincera e transparente. E sim, você vai conhecer vários rapazes que vão se apaixonar por você, da mesma forma como vão perceber que paixão acaba e que querem conhecer outras pessoas e tá tudo bem. Vai chegar uma hora em que você vai precisar tomar essa atitude também, se desapegar de quem te faz mal mesmo se enganando achando que essa paixão não é somente fogo que arde sem se ver.

Saia sozinha mesmo, prove comidas diferentes e inusitadas, baixe músicas sem saber quem canta e se surpreenda com as descobertas mais divertidas da sua vida. Escreva. Nunca pare de escrever. Leia, também nunca pare de ler. Dance, rebole, quique. Ria, pule nas poças d’água, fuja. Hable un poco de español, and english without fear.

Dê flores, repare no céu e no sol. Dirija sozinha por alguma estrada ouvindo uma banda nova, fruto daquelas descobertas. Viaje sozinha. Ande pelas ruas da sua cidade sem um destino definido por algumas horas. Comece a academia somente se for da sua vontade e não se importe com teu corpo magrelo e sem curvas, tem gente que vai te amar por tê-lo.

Não poupe teu dinheiro a não ser que seja para algum plano imediato. Não tenha medo dos teus pais, eles sempre querem teu bem mesmo quando você sabe que irão brigar contigo. Ah! Converse muito com sua mãe sobre como se sente sobre tudo, ela é sim sua melhor amiga. Você vai se surpreender com como vocês são parecidas e amigas.

Não te preocupe com problemas alheios a ti, as coisas acontecem por um motivo e você não pode controlar a vida de ninguém.

Nunca te esqueças das tuas amizades mais antigas, aquelas que vira e mexe tu sentes falta. Manda um oi pelo menos uma vez por mês, pergunta como estão. Marque um sorvete com eles. Marque um passeio no parque, um cinema, um boliche mesmo jogando muito mal (isso não vai mudar muito não).

Sabe a morte? Você vai notar que é natural. Um dia chega para todos e isso não é tão horrível quanto pensa. E sobre fofocas, você vai notar que elas surgem de quem menos se espera e se espalham como penas ao vento, mas a tua verdade sempre vai ter maior peso e é assim que se convive com isso.

Você vai perceber que tua vontade de ser mãe é maior que qualquer outra coisa e que não existe sonho melhor que esse. Não vai se realizar em dez anos, mas acredito que não serão necessários outros dez.

Não se importe com muita coisa.

Seja livre. Se tem um bom conselho que posso te dar, hoje, é esse. Se liberte das tuas correntes e se arrisque em tudo. Tuas decisões vão ter sim um peso, mas vais notar que quanto mais livre estás, mais feliz ficas.

Um beijo, seu eu de daqui dez anos.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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