Mulheres: vocês precisam se amar!

Uma vez fizeram piada com meus pés, por ter o segundo dedo maior que o “dedão”. Eu era pequena. Isso fez com que eu odiasse meus pés e tivesse vergonha de usar sapatos abertos e, principalmente, pintar as unhas.

Quando fui ficando adolescente começaram a falar das minhas espinhas, tive e ainda tenho muitas pelo rosto e costas. Passei a não querer usar roupas que mostrassem meu corpo e a me entupir de maquiagem a fim de esconder todas as manchinhas.

Quando comecei a perceber que os rapazezinhos da escola não me davam atenção porque meu corpo não tinha se desenvolvido como os das outras garotas, passei a não me aceitar. Achava que ninguém iria gostar de alguém sem seios fartos, sem um bumbum enorme e aquelas curvas todas.

Também falavam da minha magreza, ficavam cobrando que eu comesse mais, mesmo quando não tinha fome, me fizeram tomar remédios que abriam o apetite como se o meu fosse completamente errado. Sem respeitar meu biotipo, magro, esquelético e abaixo do peso.

Ouvia que mulher não podia ser gorda e minha paranoia por não engordar se transformou em anorexia, eu que já era magra passei a continuar com o mesmo peso e a me acostumar com a fome. Nunca soube perceber que tinha fome.

Uma vez chorei por conseguir ver meus ossos pulando, minha coluna vertebral estava tão à mostra que me incomodava, as costelas tão aparentes perto da cintura… Eu chorava porque percebia o mal que me fazia.

Não sabia cuidar dos meus cachos e alisei o cabelo desde os treze, fazia de tudo pra ser diferente de mim mesma. Teve até um tempo em que evitava sair na rua quando o sol estava forte porque não queria ficar mais morena, a não ser que fosse com marca de biquíni. Exagero?

As coisas simplesmente são assim, sempre foram assim.

Mas aí teve uma vez que um namorado virou pra mim e disse o quanto me achava linda sendo magrinha, pequena, como ele se sentia protetor fazendo eu me sentir segura. Teve outra vez em que um amigo bem mais velho disse o quanto achava minhas mãos bonitas e me apelidou de mãos de pianista. Achei tão fofo que me sentia bem, me sentia bonitinha de alguma forma.

Amigos do meu pai costumavam brincar comigo perguntando quando eu iria desfilar ou fazer fotos, me chamavam de modelo. Eu sentia que pertencia a algo, isso me fez perceber que não era a única a ser assim e que tinha quem me achasse bonita.

Mas as piadinhas, quando batia um vento forte por exemplo, de dizer que eu iria voar, doíam tanto. Falavam que iam amarrar linha no meu calcanhar e me usar de pipa. Quem gosta de ouvir essas coisas?

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Ou quando meu pai, sei que sem maldade, vira e fala que tá preocupado com minha saúde porque eu sou muito magra

Apenas parem!

Se é magra é ruim, se é gorda é ruim, se é baixa é ruim, se é alta também… se tem os pés grandes, nariz largo, cabelo cheio de frizz é feio. Se tem o cabelo liso de mais é sem graça, se tem os pés pequenos de mais é pior…

Vamos tentar entender que o ser humano é lindo justamente por ser diferente?

Não tem discurso de empoderamento que melhore uma autoestima fraca, não tem elogio que faça uma mulher mudar de ideia. Não é assim que funciona. Não é chamando de princesinha que vamos nos sentir mais bonitas. Não nos façam sentir que somos frágeis porque acreditamos com facilidade. Não nos rotulem de bonitas ou maravilhosas por seguirmos um padrão ou o oposto.

Sabe, a todo momento tem alguma mulher tirando a própria vida por não se aceitar. A todo momento tem milhares de mulheres entrando em salas de cirurgia plástica para mudar o que for possível para que possam se sentir melhor, mais bonitas, mais atraentes. Sim, tem quem sofra por não se achar isso tudo! Não, não tô generalizando, nem quero, mas é um fato. Não pode-se ignorar que esses males existam. Eu mesma tenho vontade de me trancar numa academia e colocar silicone! Ridículo pensar isso, hoje eu sei.

Se tem uma coisa que aprendi com o tempo foi que ele passa muito rápido. Comentava outro dia com minha mãe, há poucos anos atrás meu sonho era completar os aclamados dezoito anos e depois dele… voou. Em uma semana completo vinte e quatro e quando me vejo no espelho ainda vejo aquela menina insegura que não aceitava nada em si.

Hoje tento me olhar como uma guerreira que passou por diversas dificuldades, que sobreviveu a várias desilusões, frustrações, perdas, medos e superou tantas coisas… algumas mortes, alguns amigos que não são mais amigos, algumas oportunidades de trabalho que não deram certo…

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Mas no final de tudo, me olho e tento enxergar a mulher que ainda posso ser, o que posso melhorar. E sabe o que me alegra? Poder perceber que enquanto tento fazer tudo isso, as coisas ao meu redor se tornam muito mais prazerosas, muito mais amáveis e bonitas… divertidas! A vida passa a ser mais gostosa, os problemas passam a ser desafios como que em estórias de quadrinhos, em que eu, como heroína, vou conseguir aniquilar tudo. E chegar ao fim do dia, deitando a cabeça no travesseiro, percebendo o quanto me acho boa, atraente, e ver tudo o que tenho de mais precioso me traz um sono bom, leve e tranquilo.

Se aceite, moça. Você tem tantas coisas bonitas dentro de si, tem tanto amor aí. Ao invés de dar aos outros, dê a si mesma. Perceba o quanto és especial, o quanto tua alma pura é maravilhosa. Se olhe no espelho e veja como és linda, só por serdes assim… exatamente como és.

É importante frisar que quando se empodera uma mulher, você munda o mundo.
Espero que, em 20 anos, tenhamos menos batalhas e que toda mulher possa ser aquilo que deseja.

– Diane Von Furstenberg

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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