Um abraço do infinito

Nascemos sozinhos, alguns sem pelos, outros com muitos, todos nus, crus e como folha em branco. A maioria nasce após as 38 semanas, tem os preguiçosos que querem ficar mais e os apressados, que dão às caras o quanto antes. Boa parte se esguela até cansar, outros preocupam os médicos com o silêncio. Mas no fim, nascemos iguais… sem nada, nem mesmo sonhos.

Convivemos com o aprendizado desde o momento em que inspiramos a primeira vez, quando abrimos os olhos, quando sentimos no tato o mundo exterior à barriga. A maioria dos ouvidos começa a se assustar e fazendo os olhos buscarem o local onde qualquer ruído está sendo reproduzido, ou as mãos começam a se tornar pontes aos outros alguéns.

Aprendemos tudo sem ao menos termos noção, termos consciência. Sejam os sorrisos, a lamber um dedo que agarramos com força, a puxar aquele brinco grande e brilhoso na orelha da mamãe… seja a mamar, a comer, mastigar e andar. Sejam as primeiras palavras, tantas vezes repetidas, sejam as frases que surpreendem e roubam risos aos adultos que nos ouvem.

E quando começamos a cair, ralar joelhos, machucar dedos, arrancar dentes, percebemos que exitem tantas coisas no mundo a serem desbravadas… a sensibilidade quanto às pessoas a nossa volta começa a aflorar, seja pelo mendigo na rua ou por alguém triste que amamos.

Aprendemos a lidar com os primeiros conflitos na escola, as questões ficam cada vez mais pessoais, mais dentro de nós… principalmente as inseguranças. As preocupações também, “será que consigo escrever aquele texto?”, “será que acertei aquela equação?”, “será que o fato histórico pedido foi o que eu respondi mesmo?”.

As coisas vão piorando e dentro de nós vão crescendo no mesmo nível ou até mais. Que profissão seguir? Que emprego tentar? Que sonho realizar?

E ao mesmo tempo, o coração começa a se tornar parte da mente… pensamos em várias pessoas com que desejamos partilhar a vida para que não sejamos mais tão sozinhos. Quem sabe tragam alegria?

Tudo se torna tão bem vindo!

E as desilusões chegam com a mesma força, tudo se desconstrói com a mesma facilidade que foram iniciadas.

Corações partidos já se tornam piores que as quedas das bicicletas, ou aos dentes arrancados… a intensidade do pessoal, do profundo da solidão interna, é tamanha que nossas dúvidas são desesperadoras.

Mas precisamos entender que está tudo bem! Não tem problema se deu errado, não tem problema se doeu… vai sarar! Eu juro!

Nascemos em branco, solitários e sem nada. Vamos morrer com a vida tatuada, solitários, porém com muito mais do que um dia pensamos ter. Conhecimento, aprendizado e sensibilidade são o nosso tudo. Devemos focar nisso. Viver plenamente, inteiramente, fielmente pelos nossos sentimentos, pensamentos, convicções. Somos o que sentimos, pensamos e acreditamos, que o mundo veja nossas marcas, entenda nossas alegrias e dores e veja o mundo, também, através dos nossos olhos.

Somos um abraço dado pelo infinito, pelas diversas possibilidades… poderíamos ser tantas versões de outros alguéns, ou de nós, mas somos exatamente o que somos. Somos muito, somos tudo, somos o infinito.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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