Escrevi e salvei no bloco de notas

Quase quatro da manhã em uma madrugada de sábado. Não estou na saída de uma balada. Estou, outra vez, conversando com uma taça de vinho enrolado na cobertinha (apelido carinhoso), que ganhei da minha mãe aos dez anos de idade. Descuidado que sou, deixei a janela aberta e como um tsunami invadindo tudo, teu cheiro entrou e pairou sob meu ar. Sempre fui elogiado por ter boa memória, mas essa memória olfativa – detesto.

Antes disso, estava num sono bom. Queria voltar a dormir, antes de ter tido a coragem de secar a garrafa de vinho. Queria ter voltado ao sonho, ao abraço. Voltado à minha paz. Agora, embriagado de lembranças, me recordo como era bom ter o seu corpo junto ao meu. Nada sexual. Apenas nós dois. Gostava de te olhar enquanto caminhava pelo quarto tentando fazer alguma gracinha. Era bom te olhar. Talvez ainda seja, mas não me atrevo a procurar tuas fotos escondidas em meus arquivos.

Tragos intensos, goles que descem como uma chama acesa, em uma busca incessante por me manter aquecido, ao contrário, me queimam. Essa combinação de álcool e nicotina são válvulas que, longe de sanar toda essa ansiedade, provoca alguns segundos de alívio. Efêmero. Ainda assim, alívio.

É estranho ter seguido o curso da vida e às vezes apanhar da saudade. Sensação de que sempre estou um passo atrás, procurando alguma forma de fazer com que você retorne aos meus olhos. A real é que nesse momento escuto Ana Carolina: ando por aí querendo te encontrar. Por sorte, isso não acontece.

Mas não to voltando a escrever para registrar que te quero de volta. Nunca quis que você fosse. Isso responde muita coisa. Só quero resolver isso de forma amigável. A verdade é que eu ainda não terminei de te amar e, não sei por quanto tempo essa sensação vai morar em mim. Ainda não esgotou, saca?! Um dia vai acabar e quando acabar… Ok. Quando acabar vou estar pronto pra um novo amor. Pode ser que não seja um amor tão grande quanto o que eu tinha guardado pra ti, mas, ainda assim, será amor. Boa noite.

Texto: Tiago Brito

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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