Lua nova é teu sorriso

Era a nuca que me prendia o ar, me cessava os pensamentos e me fazia ficar imóvel. Os ombros de fora, descobertos da camisa branca de listras que eu tanto amo, denunciavam aquela nuca. Ah! Tão cheia de poderes sobre mim…

Ela comia algo, talvez uma fruta… aquilo pintava sua boca em tons fortes de vermelho, quase como se eu tivesse feito algo com seus lábios. Ela sorria, com aquela boca manchada e era como um soco me acertando a boca do estômago. Que sorriso… ah!

Seus olhos eram tão enormes, pareciam dois açaís… da cor da noite, como a água de um riacho ao som das corujas. Ela sempre me fazia ouvir as corujas… sempre me tirava de um lugar onde nunca estive, mas estava. E estou.

Só me restou esse espaço não sei onde e nem como.

Aqueles cabelos longos, escuros, cheios de ondas… pareciam mesmo o mar numa noite de lua cheia. E por falar em lua, nem a lua nova é tão linda quanto o sorriso dessa morena. Se eu pudesse, me jogaria quantas vezes tivesse força naquele oceano de incertezas.

Ela me tirava da realidade… talvez esse seja o problema de tudo! Eu não sabia quem era, o que deveria fazer… me perdia. Só conseguia pensar nela, só queria tê-la em minhas mãos. Tocar seu rosto em detalhes, e seu corpo… cada canto.

Oh, morena… por que me fez ir embora? Me fez desistir de tanto, de tudo. Não existem outros lábios que se abrem em sorrisos tão sinceros, nem capazes de tocar os meus como tu fazia bem. Não tem corpo mais bonito que o teu, à meia luz… não tem, não!

Eu sinto falta das tuas pernas emaranhadas nas minhas, me tirando do sossego do sono profundo para uma noite cheia de amor, toques e cheiros…

O que foi que eu esqueci de fazer para que nunca fosses? Para que nunca partisse?

Não sei o que fazer para voltar e não o quero se não tiveres a mesma vontade. Essa sede é apenas minha? Eu provei a mulher mais incrível e a perdi… não aceitei ainda. Nem sei se irei. O que eu preciso fazer para esquecer?

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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