ele sabe ser livre, mas também sabe ficar

Ele esconde grandes olhos, assim meio caidinhos, castanhos. Quando encontra o sol, brilha cor de mel, doce igual seu toque. Ele fala, fala, fala… não consegue dizer tudo, não termina os pensamentos porque logo encontra outros e se perde no que queria falar.

Tem dias que ele é mais metódico. Acorda cedo, lava o rosto e se alonga. Adora partilhar a cozinha, mas ele que faz o café… meio amargo e forte. Mas há dias que me acompanha no chá de camomila com anis estrelado. Por falar em estrelas, ele me faz encontrá-las.

Também tem dias que ele é mais individualista. Gosta da sua liberdade, da sua vontade poder ser feita. A gente adorava ter mil e uma novidades para partilhar… assim, quando tudo acontece baseado na segurança que o outro dá.

Ele tem um sorriso largo, os dentes meio pontudinhos e covinhas nas bochechas que apareciam entre sua barba, meio rala e meio ruiva. O som da risada é contagiante, balança o ar, faz todos rirem juntos. O espirro, espontâneo e estrondoso, também é bem característicos… sempre vem uma risada após o espirro.

Ele é bem alto, alguns dias ele quer pegar algo no topo do armário para me mostrar quão alto é. Rouba um sorriso ou outro, eu ganho um beijo ou outro. É sempre um momento tão nosso, tão único.

Ele sobe o óculos com as costas da mão, como quem está com os dedos sujos e não quer encostar no rosto. Ele sempre lava a mão ao chegar em casa, mas é a maneira como balança as mãos e o cabelo ao mesmo tempo… seus fios são engraçadinhos… meio cacheados, meio lisos, meio castanhos e meio ruivos. Sempre brilha, sempre irradia.

Ele é tão dono de si que sabe exatamente como ser de alguém. Ele não pertence a ninguém, mas simplesmente escolhe pertencer… ao coração, sabe? Ele planta uma semente de amor e nasce na gente. Não tem como não mantê-lo ali, no nosso íntimo.

Ele é morada de muitas outras como eu. Aceitei dividi-lo. Tem gente que simplesmente é especial e pertence a tantos outros. Saber que todos são livres para ir não deve nos fazer evitar que essas pessoas passem (ou fiquem) na nossa vida. Aprender isso me fez lidar melhor com tudo… deixei de viver coisas especiais com pessoas especiais, como ele. Que tão livre, tão independente, tão seguro de si, decidiu ficar… e ficou comigo… sorte essa ein.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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