quando precisei falar para não ser covarde

Desculpe se virei um velho conhecido, apenas um estranho. Um ser que já foi importante, porém agora nada é. Perdoe a falta de presença que causou ausência e nem faz mais parte da tua história, como quem não tem consideração, nem afeto. Desculpe pelas migalhas no caminho que foram comidas por ave qualquer, retirando as marcas que eu deixei para voltar… quando precisei delas, não as encontrei e fiquei por aqui mesmo.

A rotina me fez ser metódico, calculista, frio, distante… a preocupação com minhas notas semestrais, meus relatórios a serem entregues no trabalho, aquela comida que precisava ser feita pela noite para que eu pudesse almoçar tranquilamente… são tantas as obrigações onde me entreguei que deixei de pensar em outras pessoas além de mim.

Pode ser egoísmo, pode ser solidão também. Pode ter o nome que for, eu chamo apenas de rotina, chamo de vida. Nos trombamos por aí, nos esbarramos outrora, nos cumprimentamos quando deu vontade de fazê-lo. Trocamos um beijo ou outro, talvez tenhamos nos apaixonado, nos feito morada, daí quis ir. E fomos, eu fui e tu também foi. Um até logo que foi até nunca mais. Não culpo ninguém, apenas a vida… que tem dessas coisas.

Eu só preciso saber se é ato de covardia dizer a falta que tu me faz. Teu carinho de dedo, teu silêncio paz, tua voz mansa e veloz que sabia cortar o ar e atacar meu peito. Sinto falta do teu riso fácil quando fica com raiva, teu olhar de ódio numa briga que sempre se rendia a nós… eu não consegui lutar por nós… dei foi um nó em mim mesmo e te sufoquei junto.

Planejei nossas vidas, as casas que iríamos ter e como mobiliaríamos cada canto, nossas pazes feitas entre suor e línguas, entre peito e alma. Planejei tocar teu corpo com a ponta dos meus dedos pro resto da vida, planejei até ter filhos com esse teu sorriso largo e olhos escuros como a madrugada.

Pensei em tanta coisa e acabei apenas me deixando levar pela correnteza da rotina, dos afazeres e obrigações… acabei nem existindo pra você que me era tão importante. Talvez eu só não soubesse tratar a importância das coisas como deve ser, não aprendi isso quando pequeno e acho difícil lidar agora. Então vai perdoando esse buraco que cavei na tua vida e ignora meu pedido de retorno, eu só precisava falar para não ser covarde.

Anúncios

Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s