Relacionamentos: sobre doar-se e sobre reciprocidade

Dizer adeus é necessário e mesmo sabendo disso fiquei me prendendo aos momentos bons e sentimentalismo que guardava por algumas conversas pessoais. Fui descobrindo que relacionamento é onde há trocas de vivências incríveis, só que nesse caso, a reciprocidade está deixada de lado.

Costumo me deixar levar pelo emocional na maioria das coisas que vivo ou desejo, se não for de coração, não me sinto bem realizando nada. Por isso, sempre que me apaixono vivo cada segundo desse sentimento e faço de tudo para que seja bom para os dois. O problema é quando sou a única a fazer isso.

Isso sempre me irritava ao terminar um relacionamento, me deparar com a certeza de que me doei cem por cento enquanto a pessoa não correspondeu e ainda tende a parecer estar “à minha frente” no quesito vida. Como se dedicação à relação fosse perda de tempo.

Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido a provas e até rejeitado.

Nadir Beltrão

Contudo, saber que fiz tudo o que pude por alguém me tranquiliza e ajuda a superar os términos. Como quem se esforçou para um trabalho e conseguiu o máximo do sucesso nele, sendo positivo ou não, esse sucesso pode ser pessoal: sempre cresço quando me doou a alguém.

Vou “pessoar” um pouco para ilustrar melhor essa história…

Num dos meus relacionamentos buscava estar com a pessoa sempre que possível, procurava programas a dois, momentos mais românticos, procurava diversão que os dois gostassem e tentava agradá-lo também. Não era sempre que conseguia. Inúmeras vezes o convite que eu fazia a ele, acabava se estendendo aos seus amigos, me deixando em alguns momentos triste, outros com raiva.

Recordo-me de situações em que conseguíamos ter os nossos momentos de casal, mas era sempre um momento de estranheza, onde faltava afeto… faltava beijos e abraços mais sinceros, não forçados como pareciam. Chegou a um ponto em que me perguntei se esse tipo de comportamento era o mais correto numa relação, mas o comodismo me fez acreditar que sim.

Doar-se a outra pessoa, seja um relacionamento de amor ou amizade não te dá nenhuma garantia. E sinceramente não espere muito em troca, aliás, não faça disso uma cobrança por você ter feito o seu melhor e se ache no direito de cobrar o outro pelas mesmas atitudes suas, até porque elas não virão. Se as receber, sinta-se grato. Se não… você já sabia que isso poderia acontecer! No entanto, preste atenção em quem está concentrado seus esforços, pode ser que as mesmas atitudes não aconteçam, mas é em vão estar do lado daqueles que nenhuma tem.

Alessandra Gonçalves

Noutro relacionamento, me recordo de ser correspondida como não fora neste primeiro citado, era discrepante a comparação. Mas a reciprocidade não se dava no momento de acreditar que, com o tempo, algumas questões se resolveriam, como as rotinas diferentes e horários trocados. Namorar alguns minutos entre onze da noite e duas da manhã desgastava muito os dois.

Faça o que você sente que deve fazer! Reciprocidade não acontece por obrigação e sim por sintonia.

Raíssa Sonoda

Reciprocidade deve ser levada a sério em diversos casos, desde o carinho, afeto, até na compreensão de que nem tudo é como queremos e quando queremos. A compreensão do universo de outra pessoa pode nos ajudar a pensar como ela, sem sair do nosso próprio universo, como quem entende que existem diversas maneiras de ver e viver a vida em que não há errado ou certo. Num relacionamento deve-se ter empatia e compreensão na mesma medida em que há paixão, tesão e carinho.

O corpo e universo de alguém não pode ser ignorado pelo nosso desejo carnal de relacionar, como animais irracionais que só querem se satisfazer. Muitas vezes, as trocas interpessoais nos ajudam a crescer como ser humano e perceber que o mundo realmente é muito vasto, cheio de peculiaridades e formas. Onde o belo é questão de ponto de vista e o atraente também.

Procurar quem se encaixe na sua vida é tão pobre e vazio, que não agrega nada a nós. Quando deixamos a casa aberta para qualquer novidade, os novos ventos trazem consigo nova forma de viver, isso deveria ser mais importante, não?

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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