a janela do carro é a porta do meu drama

A janela do carro sempre emoldura meus momentos mais solitários. Prefiro quando cai a chuva e tenho mais drama ainda, se estiver tocando alguma música do James, prefiro. É que tem momentos em que só uma música consegue falar por mim quando tudo o que desejo é fugir.

Tem dias que sinto falta do cheiro de chuva, cheiro de folhas molhadas e barulho das rodas do carro passando por elas. Sinto falta do vento frio que corta minha pele como pequenos canivetes por todo o rosto ao mesmo tempo em que parecem seda molhada grudando na minha pele.

Parece com a sensação do teu toque, que gela meu peito, e ao mesmo tempo incendeia meu corpo inteiro, desejando que esse toque continue forte e leve. Dois extremos e opostos que se completam em frações de segundos quando você está aqui tão perto.

Sim, sinto falta dos teus lábios meio secos do clima frio que se instaura aqui todo mês de agosto. Teus lábios cheios de pele seca querendo se soltar como eu quero me soltar de você, aquela pele que se for arrancada, sangra até estancar e deixar marca.

Sinto falta do teu corpo quente que me esquentava até os pés, você fazia questão de esquentá-los… sinto falta de como meu corpo se encaixava no teu e como eu conseguia dormir feito criança. Teu nariz encostado na minha nuca, fazendo arrepiar meu corpo, mesmo quando apenas dormindo. Você sempre soube me desnortear… você sempre soube me bagunçar e eu sei que você adorava essa bagunça.

Me apeguei aos momentos em que dirijo, parece ser a única coisa que me leva pro caminho certo. Guiar meu carro me tranquiliza, me faz acreditar que ainda sei o que faço da vida… gozado.

Sinto que me perdi de você quando trocamos o “adeus”, me perdi de mim mesma, estava condicionada a ser nós e não eu. Hoje eu me sinto numa eterna procura, uma pesquisa que só pode ser feita através de experimentos inusitados em frente ao dia a dia. Em frente… preciso enfrentar o medo do desconhecido e vencer essa falta de mim.

Preciso me preencher de algo que nem sei porque não há nada aqui, nada! Preciso de ar novo, de tudo novo. Preciso desligar a mente do que sinto falta e olhar para todo o resto que ainda não tenho e são tantas coisas… o mundo é tão vasto, pensar por esse lado me seduz… acho que me deixarei seduzir.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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