lembranças em gavetas

Os dias passam rápido demais. Exceto os dias em que as gavetas se abrem sem minha permissão. Uma lembrança sua e tudo se torna tudo moroso, devagar e triste.

Se abriram sozinhas e colocaram tudo pra fora. Coisa que eu não tenho feito. Cada dia que passa eu guardo mais coisas, falo de menos e sinto demais. Abandonei a filosofia do: sentir tem que falar.

Quero engavetar tudo outra vez. Quero colocar corrente e cadeado, pra não ter o risco de se abrirem de novo. Jogar essa chave pra longe. Olhar aqui da janela do terceiro andar e gritar alto pra todo esse sufoco sair do meu peito.

A verdade é que você nunca esteve aqui. Senti por dois. Vivi por dois. Amei por dois. Aguentei todo o peso sozinho e isso me causou dor. Feridas que não aguentam suturas. Vez ou outra as cicatrizes se rompem.

É muito masoquismo te guardar aqui ainda, mesmo sabendo que as coisas podem vir a superfície. Não me culpo. De novo não. A gente não escolhe. Não controla. Não sabe até quando vai durar.

Essa temática está se tornando repetitiva – eu sei. Sinto muito. Sinto demais. Isso acontece comigo. Entrei num barco e deixo a vida me levar para vários lugares. Vez ou outra ela volta aqui: aonde as gavetas se abrem. Se enchem de lágrimas e são fechadas de novo.

Aos poucos estou jogando tudo fora e parando com essa judiação pessoal. Por hoje, só quero fechar a gaveta e enxugar meu rosto. Amanhã é tudo novo de novo. As correntes são grossas e o cadeado reforçado. Espero que dessa eu fique seguro por mais tempo.

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