sobre corresponder e sobre desistir

Sinto que me vendi a alguém por simples aquisição de afetos e amor. Ele me amava, muito, e eu, que há muito tempo havia desistido de amar por tanto sofrer, não tinha intenção nenhuma de ter algo sério com ele.

O problema é que ele era tão persistente que ficou difícil dizer não. Minha carência já estava tão alta que percebi dizer sim ao rapaz só para saciá-la. Com vergonha dessa atitude, disse a ele “não sei mais amar, não espere isso de mim”, mas ele se fazia de forte, jurando que conseguiria roubar toda a minha atenção.

Me acostumei a tê-lo por perto, é normal nos acostumarmos a coisas boas, certo? Mensagens de preocupação, recados na agenda, comentários fofos nas fotos… coisas de quem realmente está apaixonado e precisa gritar ao mundo todo.

Meu humor melhorou com a presença dele, ter a atenção de alguém após tantas desilusões costuma fazer nosso mundo ficar divertido. Mas a resposta ao que ele sentia não era a mesma.

Ao longo do tempo, fiz questão de recompensá-lo. Mimos, carinhos, atenção… me afeiçoei a ele com uma admiração e carinho de quem conhece o outro pelo que transparece e permiti que fosse ficando mais e mais.

Sim, fui gostando de tê-lo e repensando aquelas questões, “talvez nem todos sejam iguais”, “talvez ele me faça reviver algum sentimento”, “talvez amar não seja de todo ruim”.

O problema é que as pessoas se acostumam em qualquer tipo de situação, boa ou ruim. Ele se acostumou tanto a não ser correspondido que entrou num modo mecânico de se relacionar comigo enquanto eu desenvolvi um carinho por ele, resultando numa centelha de paixão que teria tudo para incendiar os dois.

E incendiou.

Era gosto estar com ele enquanto essa emoção alimentava nossos corpos, os toques eram como choques, os beijos se tornaram ardentes numa força que eu nunca conheci. Estávamos nos correspondendo de acordo com o que a ocasião pedia. Se era em abraço, aquele era o melhor, se era corpo, bem…

Foi então que chegou a confusão. Ele criou tanta expectativa sobre mim que passou a cobrar o que eu nunca prometi dar e me doía não conseguir responder como ele merecia. O esforço sempre foi enorme, fazer o relacionamento dar certo passou a ganhar um peso gigante, impossibilitando a felicidade se instaurar.

Esse momento se chama decepção.

Nesse exato momento ele desistiu. Não ter o que esperava, como esperava e quando quisesse o fez desistir. A fé se mostrou ausente e a dor retornou a mim. Quando há dúvidas, há também a ausência de fé e sem ela as coisas não funcionam.

Pena que não funcionam.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

2 comentários em “sobre corresponder e sobre desistir

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