café com baunilha e canela ao som de pássaros e cigarras

Andei por muito tempo até avistar o melhor lugar para perder horas, pelo menos pra mim, aquele restaurante que serve café da manhã o dia inteiro e ainda te reserva um lugar para poder escrever ou ler.

Escolhi a mesa do lado de fora e enquanto provava do folheado de camarão e aquele café com baunilha e canela que eu amo, lembrava da gente nessa mesma mesa, ouvindo os pássaros e cigarras fazerem a festa às duas da tarde. Teu sorriso largo, meio tortinho, as covinhas que aparecem quando tu reflete o amor pelos lábios, os olhos que seguem o mesmo formato, tua pele que vibra numa frequência loucamente calma e serena.

Foi aqui nossa despedida, tua viagem longa nos obrigou a tê-la antes da hora.

Nesta mesma mesa, tu me pediu em namoro e entreguei-lhe meu coração com aquele sim. Aqui, também, encontramos Olga, a nossa filha (ou gata, como os outros costumam chamar).

E entre tantos encontros, de alma, de coração, de sentimento e de ideais, nosso até logo… Odeio quando sou obrigada a tomar decisões em momentos como este. Você não podia perder a chance da tua vida e nem eu a minha, nós entendíamos perfeitamente que ao vinte e poucos, pedir para o outro largar tudo, seria ridículo. Houve respeito, houve compreensão, não houve cobrança.

Tu, ai, nessa Índia com trânsito maluco, aprendendo uma nova cultura e planejando tirar do papel teus rabiscos mais lindos… e eu, mais perto de publicar meu primeiro livro e, talvez, arquitetar outros projetos.

A vida e maluca mesmo, né?

Precisei trancar tudo o que vivemos numa gaveta, mas de tão pesada, foi ao chão hoje pela manhã. Precisei retirar uma saudade de lá e, infelizmente, bati com a força da raiva … mas foi por precisar fechá-la novamente.

Havia esquecido tudo o que já tinha colocado ali. Esqueci de ti e de nós. De ti, esqueci o som da risada, o perfume amadeirado e a mania de me fazer cócegas no meio do beijo só para me provar o quanto estávamos apaixonados. De nós, esqueci a temperatura do calor trocado entre nossos corpos, o carinho de nariz no teu rosto que fazia levantar o cheiro da tua pele e como andar de mãos dadas e sentar nessa mesma mesa me trazia paz.

Acho que se pudesse pendurar nossa história num varal no meio da W3, as pessoas passariam e, entojadas, encarariam cheias de inveja. Nossa história estava no seu auge, tu era meu sonho bom e eu tua Capitu. Sinto falta da tua voz me chamando assim pela casa…

Eu sei que nos permitimos esse espaço, mas volta logo? Eu quero tanto tua companhia nessas tardes de café ao som de pássaros e cigarras… ou de deitar no chão da sala e ficar ouvindo la vie en rose.

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Escrito por

♦ Brasiliense com sangue do Pará, amante de moda, culinária, cinema e música. Sonhava em ser bióloga marinha, mas vem se provando mais jornalista do que achava. Escreve menos do que sua mente produz, mas a memória deixa a desejar. Curiosa e repórter, então saiba que tudo o que disser poderá se tornar texto novo. E se a encontrar, prove seu abraço... dizem ser o melhor do mundo. ♦

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