reticências…

Gastei tantas palavras com você que não existem mais palavras a serem usadas com qualquer outra pessoa, até eu mesma. Não sei porque tomastes tais decisões por ambos, nunca viverei em paz com tantas questões em aberto esperando que tenhas coragem de me dizer teus motivos. Quero que rasgue todas as cartas que lhe escrevi, que as leia uma última vez em respeito a tudo o que vivemos e que as rasgue.

Devolva-me cada lágrima que deixei escorrer por ti, que recupere cada soluço entre faltas de ar que tive em todas as noites que dormi aos prantos. Impossível? As feridas que fizestes sem se preocupar com como eu me recuperaria, como ou se!

Foram momentos tão bonitos, tantas alegrias, tantas declarações. Te dediquei poesias, versos tão lindos. Escrevi nossas histórias em diversos momentos que nunca vivemos, mas que sonhamos acordados debaixo do céu estrelado. Momentos em que o toque foi forte, os lábios rasgando-se foram reais… reticências… tudo o que vivemos se tornaram reticências… Não sei o que vem depois de três pontos, estou tentando descobrir até este momento o que vem depois das tuas reticências.

Você roubou cada alegria, sugou cada sentimento como um lobo feroz se alimenta de sua presa mais indefesa, só que a minha raiva maior é por não ter percebido. Havia tanto ali entre nós dois. Como você pode, depois de tudo, ainda ser feliz? Me faça esquecer!

Espero ser feliz de verdade. Estes caminhos que nossas vidas decidiram viver viraram caminhos de luto, que hoje supero. Supero enquanto não fecho meus olhos e te encontro rindo de quem me tornei… infelizmente sou tuas reticências deixadas como uma nota em aberto da melodia que tira o fôlego e não sabe o que permitir aos ouvintes sentir.

Cavastes com as mãos a cova de cada sorriso que não dou mais, não tens noção do que eu deixei de ser… nada daquela garota existe mais. O mundo triturou cada sentimento meu. Enquanto meus sonhos se tornam o abismo ente nós, entre eu e meu futuro.

Acho que preciso me despedir, me despedir. Enterrar essa vontade de vomitar tanta dor em você. Talvez o amor também seja o luto. O tempo calado que me rodeia, que me entorpece, esse fim. Viver deveria ter coisas além de sacrifícios, principalmente os que não decidimos fazer. Talvez eu precise encontrar novo gosto em viver, novo jeito de ser eu após curar essa ressaca tua.

Ou talvez eu precise apenas de novo toque, que invada tudo e fim. Para entender, por vez, que não és o único capaz de invadir tudo. Não ensinastes a esquecer-te e é difícil aprender algo só. Mas a coragem me habita, eu quero e fim. Parar de querer te encontrar em outros abraços, não preciso deste abismo novamente, não quero pontes, nem reticências.

No desespero, decidi.

É hora de me encontrar.

Autor: Aguida Leal

Olá, meu nome é Águida Leal, tenho 26 anos e criei esse blog para compartilhar minha visão romântica da vida. Minhas paixões me guiam a momentos únicos e percebi que as pessoas gostam de ler sobre cada experiência romântica que a vida me dá.

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