BBB21: A militância e a falta de respeito

Há três anos estávamos em uma nova pauta muito forte politicamente: as eleições. Naquele momento muitas questões começaram a vir a tona. Todas as pessoas com um pouco mais de estudo começaram a agredir (via textão) o candidato que acabou sendo eleito. Eram tantas as questões que para qualquer um ficava difícil acompanhar. Em um dos momentos, decidi que iria aprender sobre tudo (ou quase). Mas isso só aconteceu porque em uma publicação fiz algumas perguntas à militante dona do post e ela me respondeu com um “vai estudar. Se eu tive que aprender você também vai dar um jeito”.

É exatamente a militância que não precisamos.

Sabemos que nosso país é muito novo. A gente mal foi descoberto e já foi explorado até acabarem muitas das nossas matas. A gente mal virou colônia e já virou refúgio de coroa fugida de batalha. A gente mal proclamou a independência da coroa portuguesa e já deram um golpe na família imperial brasileira. A gente mal conseguiu criar uma constituição descente e já vivemos inúmeros escândalos de corrupção. A gente mal superou um impeachment e já estão querendo outro.

O problema é que nada nunca é o bastante.

O que acontece com a militância política também acontece com todas as outras. Como se uma puxasse a outra. E faz sentido. Porque tudo começa com o seu direito (ou a falta dele) de ser, fazer, ir e vir como quiser e pra onde quiser.

Foi há três anos que decidi aprender tudo. Por incrível que pareça, foi na mesma época que resolvi assumir meu cabelo.

Desde 2018 diversas pautas começaram a ganhar força na internet, mas em sua grande maioria em regiões mais desenvolvidas e com maior foco comunicacional. A grande maioria dos influenciadores que abordam política, cultura, padrão estético e questões lgbtqia+ são do sudeste.

Como o atual governo se posiciona contra muitas pautas, estas ganharam força e visibilidade na internet. O feminismo, a homofobia, o racismo… tudo isso virou pauta em todos os cantos da comunicação. Muito se cria sobre, muito se explica e muito se questiona. Mas pouco se explica com a atenção necessária para poder combater as mazelas obscuras de cada pauta.

O que observo no meio em que vivo é que as pessoas conservadoras o são por uma crença muito forte de uma verdade delas. O ponto não é se envolve a religião ou não e sim como as questões são levadas até elas.

Você não consegue chegar em uma criança e conseguir fazer ela ficar quieta numa festa onde outras crianças estão correndo. Por que? Porque é da natureza dela seguir seu instinto de brincar e correr também. Talvez isso seja pela forma como o ser humano replica comportamentos que observa entre os demais, talvez tenha outra explicação que eu não saiba. Mas é assim que acontece, isso seria a parte estrutural de qualquer pauta social.

Estamos a tanto tempo com comportamentos, atitudes e falas carregadas de preconceito que é difícil entender logo de cara tudo o que é necessário para enfim mudar a maneira de agir. Contudo, não é porque aprendemos a ser assim que devemos continuar.

A questão racial é delicada porque é muito difícil fazer uma pessoa entender a vivência do outro. A diferença do que um sente ou sofre é tão grande que alguns se cegam por não se questionarem. Nesses casos, quanto mais didático e dentro de uma linguagem que aquela pessoa que não entende possa receber a informação, mais fácil ela pode tentar mudar.

Quanto a homofobia ainda é necessário quebrar tabus mais delicados dentro da individualidade. Nesse caso, pautas feministas também se envolvem. Entender a individualidade e como cada um lida é importantíssimo para conseguir explicar porque as mudanças são necessárias.

Em uma semana de programa, a 21ª edição do Big Brother Brasil mostrou pra gente que muitas questões ainda precisam ser discutidas. Porém, mostrou também que elas precisam ser levadas para a realidade “do errado” (quem praticou a ação entendida como errada) para que ele consiga visualizar o ocorrido e enxergar as atitudes questionadas.

Penso assim porque vejo muitas pessoas próximas a mim que ainda não se questionaram sobre essas pautas não porque são insensíveis, mas porque nunca passou pela cabeça delas. Isso não diminui a pauta, mas também não diminui a pessoa que não luta por isso.

A sua forma de viver sua vida, suas crenças, sua verdade, nada disso deve moldar a vida do outro. Tudo é baseado em escolhas individuais ou coletivas. A possibilidade que temos de escolher em que acreditar ou defender não deve ser questionada de forma negativa até que atinja outras pessoas.

Entenda, o ponto desse post não é desmerecer as causas, mas questionar como os militantes de cada uma se aproximam para causar mudanças. Ao meu ver, todo militante é um agente importante para a mudança. No entanto, sua abordagem deve ser muito bem pensada e escolhida para que a causa não perca força justamente pela importância de cada uma.

A questão aqui também não é defender quem não muda. Mas como alguns só não estão abertos porque nunca entenderam as pautas relevantes. E observe, quem está realmente aberto – mesmo que não entenda – vai ouvir com atenção. Pode até errar novamente a mesma coisa, mas o progresso só é atingido quando repensado por cada indivíduo.

Autor: Aguida Leal

Olá, meu nome é Águida Leal, tenho 27 anos e criei esse blog para compartilhar minha visão romântica da vida. Esse é o meu diário, onde divido meus momentos de loucura, confissões e criticas ao mundo.

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