meu conto de fadas do interior

Me apaixonei pelo meu melhor amigo, aquele que mora em outro estado. A gente nunca conversou sobre sentimentos que temos pelo outro, mas de alguma forma tudo mudou. Sim, mantemos a amizade, mas tudo está diferente agora.

Eu sei que gosto do jeito áspero dele, da maneira alta que ele fala e enche toda a casa, de como é bruto na hora de tratar certos assuntos -porque entendo a criação dele e por onde o raciocínio passa. Mas morro de medo de tudo isso deixar de ser engraçado e legal e se tornar um peso dentro de um relacionamento. Mesmo assim, me apaixonei pelo meu melhor amigo.

Ele tem um gosto musical meio duvidoso, se veste de uma forma bem padrão… parece que conflitaria um pouco com as mil e duzentas personalidades que eu vivo em uma única semana. Falo visualmente mesmo! Porque às vezes parece que falamos a mesma língua, já em outras… parece que há um abismo entre nós.

Há um tempo entendi que contos de fadas não existem, que pessoas são excêntricas, orgulhosas e egoístas. Aprendi que raramente tentam ver o mundo pelos nossos olhos. Porém, também entendi que nem eu consigo fazer isso e nem é porque sou uma pessoa ruim, é só que a vida é curta de mais pra tentar enxergar a individualidade de todas as pessoas que conheci na vida.

Ainda assim, me apaixonei pelo ogro verde que pode até parecer bruto de mais. Entendi que, em alguns momentos, essa “casca grossa” é um mecanismo de defesa. Percebi que os carinhos que o deixavam desconfortáveis eram apenas uma novidade pra ele, que deve ter sofrido bastante para ter se fechado tanto… mesmo sendo meu melhor amigo, ainda não sei tudo sobre ele.

Me apaixonei por como ele consegue ser mais tagarela que eu. Por como ele seca minhas lágrimas através das mensagens de texto. Me apaixonei por como ele me incentiva e apoia cada sonho maluco que essa sagitariana tem, e são muitos -e fluidos.

Me apaixonei pela visão de mundo que ele tem, pela percepção diferente da minha, pelos sonhos que nunca pensei sonhar junto. Adoro a paixão por cavalos, pelo interior, pela simplicidade. Ele gosta de um café, do cheiro de grama cortada e de passar a mão na crina dos cavalos que cuida. Ele gosta de ouvir um modão e de conversar com os mais velhos… puxa aquele sotaque forte que meus ouvidos bem atentos capturam e riem por achar uma graça.

E me apaixonei por como ele consegue entender tanta coisa difícil e me explicar com calma. Como me aguça o senso crítico sobre a decisão do ministro, deputado ou candidato à presidência. Gosto de como a gente discorda, de como a gente discute e manda o outro para aquele lugar. Mas gosto mais quando a gente sabe cuidar e dizer eu te amo com um simples “olá”.

Autor: Aguida Leal

Olá, meu nome é Águida Leal, tenho 27 anos e criei esse blog para compartilhar minha visão romântica da vida. Minhas paixões me guiam a momentos únicos e percebi que as pessoas gostam de ler sobre a vida.

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